Na primeira reunião de 2014, o Copom deve subir os juros; bancos e consultorias estão divididos em relação ao ritmo do aumento e a cada hora um muda de opinião. Levantamento feito pelo "Estadão" mostra que a maioria agora está prevendo uma elevação de 0,25 ponto.
Muita gente estava achando que o BC reduziria o ritmo, elevando mais duas vezes a Selic em 0,25 ponto, e depois pararia para ver o efeito na economia, se reduziria a inflação ou não. Nesse momento, o crescimento está baixo e o IPCA, alto. É nesse dilema que está o BC há alguns meses.
Quando saiu a inflação de dezembro, na sexta-feira, ficou todo mundo confuso, porque veio mais alta do que se pensava. O BC queria um número menor que o de 2012, mas fechou em 5,91%.
O governo, ao longo do ano, tomou várias decisões que não vão se repetir (congelamento de tarifas públicas, revogação de aumentos). Por isso, os preços administrados só subiram 1% em 2013.
Para complicar a situação, a entrevista do secretário do Tesouro, Arno Augustin, hoje, ao "Valor", criou mais uma dúvida. Disse que as críticas à política fiscal vêm de "atores" que querem que os juros subam. De certa forma, está dizendo para o BC não subi-los.
Diante de uma inflação alta e de uma política fiscal sobre a qual há dúvida, o BC vai reduzir o ritmo? Tem um grupo que acha que os sinais dados e a própria inflação surpreendendo negativamente e mais resistente levarão o BC a aumentar a taxa em 0,5 ponto, para 10,50%. O grupo majoritário, por outro lado, fala em 0,25 ponto.
A taxa de juros virou o único remédio - amargo, que tem efeitos colaterais ruins - contra a inflação, quando não deveria ser. Ministério da Fazenda e BC deveriam jogar na mesma direção. A questão é que há muito tempo eles não jogam um jogo inteiro juntos, podem até fazer algumas boas jogadas, tabelas, cruzamentos e etc, mas ao longo da partida, fica muito claro que há interesses muito particulares em ambos.
Particularmente, para a próxima reunião não acredito em alta de 0,25% tampouco de 0,5% nos juros. A inflação fechou 2013 acima do esperado, sim, entretanto, para um ano de eleição, não creio em mexidas bruscas antes do fim do primeiro tempo. Nesse caso, os indicadores de crescimento desse ano serão o start para justificar mais altas. Se a projeção de crescimento continuar na casa dos 2% como foi em 2013, não tem porque o governo mexer mais, pelo menos não até outubro.
Afinal, em ano de copa do mundo, a reeleição está quase garantida!
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