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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Expectativa é de inflação mais baixa no 1º tri. Há incertezas

Um pouco menos de inflação e mais juros. Essa é a previsão do mercado para este ano, segundo o boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central. O IPCA de janeiro deu uma notícia boa na sexta-feira, ficando abaixo do previsto e do registrado em janeiro do ano passado. Abre-se a expectativa de uma inflação menor no primeiro trimestre, mas com um pouco de incerteza. Era esperada a não repetição da alta do item alimento, o que está se confirmando. Aumenta, mas não tanto quanto em 2013. As temperaturas altas demais e as poucas chuvas, no entanto, podem ser um complicador e afetar algumas safras.

De qualquer forma, há a expectativa de que este primeiro trimestre tenha uma inflação menor do que a do ano passado, que foi altíssima. [Na verdade, a inflação tem quase que obrigação de cair, por tudo aquilo que o BC tem feito, mas à despeito do dólar, estamos vendo que mesmo diante de suas interferências, quando a coisa não vai, não vai!]

No geral, o cenário para a inflação deste ano continua muito incerto. As projeções indicam um IPCA menor, porém ainda alto.

O uso das termelétricas, por exemplo, aumenta o preço da energia e mais difícil será não repassar uma parte da conta para o consumidor. O governo tenta evitar isso, aumentando o custo do Tesouro que, no fim das contas, é sustentado pelos nossos impostos.

O dólar em alta pressiona a gasolina; e a falta de chuvas, a energia. Por isso que nesse cenário não dá para dizer que os juros podem cair, apesar da inflação ter começado o ano em baixa. Por conta dessas incertezas, é provável que o BC mantenha, por enquanto, esse processo de controle da inflação.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Panorama 2014

ALPES CCTVM

O ano de 2014 já começa agitado e as notícias não são nada animadoras. Após as crises financeiras nos EUA e na Europa, agora são os emergentes que estão no foco dos investidores. A China tem mostrado sinais de desaceleração mesmo em um cenário de alta alavancagem de sua economia. O Banco Central chinês mostra-se disposto a reduzir essa alavancagem do gigante asiático, reduzindo as injeções no mercado aberto, o que leva as projeções a apontarem em crescimento menor que 7% para a China este ano. Essa desaceleração de nosso principal parceiro comercial deve reduzir o apetite de compra e provocar um ajuste nos preços das commodities, podendo prejudicar as relações de troca de nossa balança comercial e agravar a questão do déficit externo. Vale destacar que em 2013, o Brasil registrou déficit em transações correntes recorde de 81,374 bilhões de dólares em 2013, com o rombo não sendo financiado pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) pela primeira vez desde 2001.

Somado a este cenário de desaceleração chinesa, o Federal Reserve voltou a anunciar uma nova redução de US$ 10 bilhões nas compras mensais realizadas pelo órgão, passando assim de US$ 75 bilhões para US$ 65 bilhões. Durante janeiro, com a divulgação de alguns dados mistos da economia americana, como o payroll, que veio abaixo das projeções, alguns agentes cogitaram a manutenção do ritmo de compras pelo FED. Tal expectativa não foi confirmada e as reduções das compras mensais devem continuar gradativamente já sob o comando de Janet Yellen. Assim, com a redução de liquidez dos mercados, os países emergentes que não avançaram nas reformas estruturais de sua economia, sofrem com a ameaça de fuga de capitais em massa.

Dentre o bloco de emergentes em dificuldades, destaca-se a Argentina, cuja moeda sofreu forte desvalorização no início deste ano, fato que levou o governo local a voltar a permitir a compra de dólares por parte da população. A crise do nosso terceiro parceiro comercial e um dos principais destinos de nossas manufaturas coloca mais pressão sobre nossas contas externas e contagia o mau dos investidores com o grupo de emergentes. Turquia, Ucrânia, Tailândia, África do Sul, Índia e o próprio Brasil também são monitorados de perto por investidores. Apesar disso, a situação hoje é muito melhor do que a vivida no final dos anos 90, quando houve crise nos países em desenvolvimento. Isto porque os emergentes contam hoje com grandes reservas internacionais (aproximadamente US$ 7,7 trilhões), menor endividamento público e déficit externo do que naquele período.

Porém, o movimento de saída de capitais começa a ganhar mais força. Segundo dados divulgados pelo banco Morgan Stanley e publicados pela mídia, na última semana de janeiro, foram retirados US$ 6,33 bilhões das carteiras de renda variável em países emergentes. No Brasil, segundo dados da BM&FBovespa, até o dia 29 de janeiro, saíram R$ 739 milhões de investimentos estrangeiros em renda variável.

Para reduzir o movimento de fuga dos investimentos estrangeiros, os bancos centrais de países emergentes tem realizado um ciclo de aperto monetário. Neste grupo estão países como Índia, Turquia, África do Sul e o Brasil. Este mês, novamente, o Copom elevou em 0,5% a taxa de juros, cuja meta agora está em 10,5%, sexto aumento consecutivo promovido pelo Comitê desde abril do ano passado. Porém, com a situação dos emergentes em xeque, as projeções começam a apontar um ciclo mais longo de aperto monetário aqui no país. Este movimento pode contribuir para reduzir a saída de capitais do país, porém, tende a pressionar para o baixo crescimento de nossa economia. Na última pesquisa Focus, o crescimento projetado para o país este ano já ficou abaixo de 2%. Enquanto isso, a inflação ainda tem se mostrado resistente, movimento também destacado pelo Bacen na última ata divulgada, e projeta-se algo próximo a 6% para o ano.

A questão fiscal do País permanece como prioridade no radar dos investidores. O Governo divulgou que o superávit alcançado em 2013 foi de R$ 75,3 bilhões ou 1,9% do PIB. A meta fixada pelo governo e posteriormente abandonada era de 2,3% do PIB. Porém, excluindo da conta, as receitas extraordinárias e os dividendos distribuídos pelas estatais, o superávit estrutural ficaria por volta de 0,6%. A meta para 2014 ainda não foi divulgada, a expectativa é que o governo a divulgue este mês. O cenário de eleições a frente agrava a situação e coloca ainda mais pressão sobre o governo. Mais do que uma projeção inflada, o mercado espera uma melhor comunicação entre os agentes governamentais e o mercado apontando um resultado estrutural crível. Neste sentido, notícias dão conta de uma reunião com os principais agentes financeiros do país para discutir o cenário econômico com membros da equipe econômica. Além disso, a presença de Dilma Rousseff no fórum internacional de Davos tentando tranquilizar investidores de todo mundo é sinal de maior esforço dessa interlocução.

Essa busca de uma melhor comunicação se faz ainda mais necessária quando levado em conta um possível rebaixamento do rating nacional. A agência Standard & Poor’s abriu a possibilidade de realizar esse corte na nota da País ainda em 2014. Este seria um agravante para a confiança dos investidores mundo afora, em meio a questionamentos da credibilidade dos emergentes e redução da liquidez global. Assim, evitar esse possível rebaixamento seria altamente recomendável. Por outro lado, a Moody’s confirmou em janeiro a perspectiva estável para o rating do País, o que praticamente descarta um corte este ano pela última.

Saindo do cenário interno, este mês de fevereiro deve trazer à tona novamente a questão do endividamento do governo norte-americano. De acordo com os últimos cálculos do Tesouro, o limite da dívida do país, de US$ 16,7 trilhões, previamente calculado para ser alcançado no início de março, foi antecipado para o dia 07 de fevereiro. As discussões dentro do Congresso americano, tradicionalmente bastante difíceis, têm componentes para apimentar ainda mais essa situação. O primeiro é a queda da aprovação do governo Barack Obama, e o segundo, as eleições legislativas marcadas para novembro deste ano.

Na Europa, os países parecem avançar com as reformas para sair da crise instaurada no continente. Os últimos dados divulgados mostram que o PMI da indústria e serviços encontra-se no maior nível em mais de 2 anos, com a Alemanha puxando essa recuperação, e a França constando como destaque negativo. Apesar da difícil situação vivida pela França, a Moody’s não rebaixou o rating do país este mês, como esperado. Em relação às captações, o mercado parece voltar os olhos novamente a continente. Os yields dos bonds de Itália, Portugal e Espanha estão no menor nível em um horizonte de um ano. Ainda, a Itália recentemente realizou uma emissão com o menor custo desde a adoção do euro.

Sobre a Ásia, já citamos a situação da China anteriormente. No Japão, o programa monetário promovido pelo BoJ tem mostrado eficácia. A inflação do país fechou 2013 em 1,6%, a produção industrial e o varejo têm mostrado recuperação. Vale monitorar, porém, as crescentes tensões políticas entre Japão e China, as duas maiores economias da região, indicando turbulência à frente.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Inflação mostra resistência maior, BC piora projeção para 2014--ata do Copom - RTRS

SÃO PAULO, 23 Jan (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a inflação mostrando resistência "ligeiramente acima" do que se esperava, o Banco Central piorou seu cenário de inflação para este ano e vê que, para 2015, ela está acima do centro da meta.

Por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, o BC voltou a reforçar que é "apropriada" a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias "ora em curso", ponderando também que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária ocorre com defasagens.

"O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", mostrou a ata.

Sobre o cenário de inflação, o BC piorou suas projeções para a inflação em 2014 tanto no cenário de referência (Selic constante a 10 por cento e dólar a 2,40 reais) quanto no de mercado, permanecendo acima da meta do governo de 4,5 por cento pelo IPCA.

Em relação a 2015, também nos dois cenários, o Copom calcula que a projeção de inflação se posiciona acima da meta. O objetivo oficial do governo é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Ainda de acordo com a ata, o Copom projeta estabilidade nos preços da gasolina para o acumulado de 2014.

Na semana passada, o Copom decidiu manter o ritmo de aperto monetário e elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, a 10,50 por cento, diferentemente do que esperava parte dos agentes econômicos, que acreditava numa redução do ritmo de alta da taxa a 0,25 ponto.

O BC, no entanto, levou em consideração o fato de a inflação ter virado o ano ainda mostrando resistência e acima do que o próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, esperava.

O IPCA fechou 2013 com alta de 5,91 por cento, frustrando o objetivo do governo de ver a inflação recuar sobre o ano anterior.

No comunicado após a decisão do Copom e que foi repetida na ata, a inclusão da expressão "neste momento" foi vista por analistas como um sinal de que o BC poderia reduzir o ritmo ou até mesmo encerrar o ciclo em breve, após sete altas seguidas na Selic. O atual ciclo foi iniciado em abril passado, quando ela estava na mínima histórica de 7,25 por cento.

Pesquisa Focus do BC mostra que a projeção dos analistas é de que o IPCA encerre 2014 a 6,01 por cento, enquanto a Selic iria a 10,75 por cento.

Pouco depois da ata, foi divulgado que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,67 por cento em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado.

2003, O ano que não acabou?

É corrente entre os investidores e analistas o sentimento de que, seja quem vencer as eleições presidenciais de outubro, um ajuste macroeconômico é imperativo em 2015 não somente para corrigir os desequilíbrios crescentes nos últimos anos, mas também para evitar uma maior deterioração da classificação de risco pelas três principais agências internacionais de rating.

Atendo-se apenas ao cenário base da maioria dos analistas - da reeleição da presidente Dilma Rousseff -, ficam as seguintes perguntas: que tipo de ajuste ela poderia fazer em 2015? Em qual profundidade? Será um ajuste suficiente para agradar ao mercado e às agências de rating? Que limitações políticas teria Dilma para fazê-lo?

Mais ainda: com toda a fragilidade da economia brasileira - refletida nos preços dos contratos de Credit Default Swap (CDS) e também nos preços das ações na Bovespa -, qual a possibilidade de 2015 ser uma repetição de 2003?
Naquele ano, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi forçado a promover um choque de juros e um esforço para aumentar o superávit primário em razão da crise de confiança e de solvência que afetou o Brasil em 2002, quando os investidores ficaram temerosos com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder pela primeira vez na história.

De volta a 2015. Diante das críticas aos gastos do governo e de uma política fiscal expansionista, que vêm atrapalhando o trabalho do Banco Central de controlar a inflação e as expectativas inflacionárias, há quem espere que o presidente que tomar posse em 2015 faça um ajuste das contas públicas, não só para contribuir com a política monetária, como também para dar um choque de credibilidade.

Mas nesse ponto reside uma dificuldade, que não tem sido discutida com frequência até agora: o perfil do aumento de gastos do governo não dá margem para grandes expectativas quanto a corte de gastos.

Ao final de 2010, antes de Dilma assumir, o gasto com pessoal e encargos representava 4,42% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado de 12 meses até setembro de 2013, os desembolsos com essa rubrica correspondiam a 4,23% do PIB. Ou seja, houve queda nesse item. As despesas com benefícios previdenciários tiveram aumento, embora decorrentes do engessamento com as regras do salário mínimo: passaram (no período analisado) de 6,76% para 7,42% do PIB. Assim como aconteceu com os gastos com benefícios assistenciais (LOAS/RMV), também afetados pelas regras do mínimo: pularam de 0,59% para 0,70% do PIB.

Mas o salto das despesas aconteceu com os programas de transferência de renda. Os desembolsos com o Bolsa Família subiram de 0,36% para 0,52% do PIB. E a rubrica com abono salarial e seguro-desemprego passou de 0,79% para 0,94% do PIB.

Assim, os itens nos quais a presidente Dilma não está engessada por uma regra e tem espaço para cortar (pois os gastos com pessoal e encargos já foram reduzidos), como os programas de transferência de renda, são politicamente difíceis de serem enxugados.

Desta forma, alguém acredita que a presidente Dilma irá fazer um ajuste fiscal significativo reduzindo os gastos com esses programas?

Nesse sentido, começa a circular um temor entre interlocutores desta coluna: a de que Dilma fará um ajuste nas contas públicas não do lado das despesas, mas sim pelo lado da arrecadação, com a cobrança de novos impostos e contribuições, como a volta da CPMF. É, por enquanto, um temor, mas diante das pressões que um segundo mandato enfrentará para manter a classificação de risco do País há investidores e analistas desconfortáveis com essa perspectiva.

Por isso, vários interlocutores desta coluna começaram, nos últimos dias, a traçar um paralelo entre 2003 e 2015. Só para refrescar a memória, o BC elevou a taxa Selic para 26,5% ao ano em agosto de 2003 (Armínio Fraga, ainda no comando em 2002, deu uma mãozinha ao começar a elevar os juros no final do seu mandato), além de o governo Lula ter iniciado um maior esforço para elevar o superávit primário e ter colocado em votação a emenda constitucional que permitiu a reforma previdenciária do setor público.



Vamos chegar a um ajuste tão dramático em 2015?





Provavelmente, não. Simplesmente porque a situação macroeconômica brasileira hoje, apesar de mais delicada, não está num ponto tão dramático quanto em 2002, nas vésperas da eleição daquele ano: a depreciação do real não está tão vertiginosa e o crédito para Brasil ainda não evaporou como naquela época.

Na última pesquisa Focus, do Banco Central, os analistas trabalham com uma projeção da taxa Selic a 11,50% ao final de 2015, além de um PIB crescendo a 2,5% e uma taxa de câmbio a R$ 2,50 por dólar. São projeções bastante otimistas, pois há, por exemplo, quem acredite que o BC subirá os juros para, pelo menos, 12% no primeiro ano do próximo mandato da presidente.

Sem contar que a inflação esperada na pesquisa Focus para 2015 também está otimista: 5,60%. Isso porque até quando o governo continuará represando os preços administrados como fez em 2013, quando esses preços subiram apenas 1,5% nos cálculos constantes de um relatório enviado a clientes pelo banco Goldman Sachs? O banco estima que em 2013 os preços livres subiram 7,3%, ou seja, há um "gap" de 5,8 pontos porcentuais entre esses dois tipos de preços que terá de ser eliminado em algum momento, com óbvio impacto sobre o IPCA, que é a medida oficial de inflação.

Parece, ao menos por enquanto, que um choque de juros seria mais factível de o próximo governo Dilma fazer do que um choque fiscal. Mas mesmo isso será suficiente para evitar o rebaixamento do rating soberano brasileiro?

Além disso, a crença dos interlocutores desta coluna é de que a limitação da presidente em fazer um ajuste fiscal mais profundo decorre, em parte, do chamado "presidencialismo de coalizão", pois será difícil conseguir uma negociação com a colcha de retalhos que é a base de apoio partidária e os interesses desses partidos em não prejudicar as relações com suas bases eleitorais.

A agência de rating Standard & Poor's (S&P), com base nas declarações mais recentes de seus analistas, parece menos paciente com o governo e a trajetória de deterioração dos indicadores macroeconômicos do País, o que tornaria um rebaixamento da nota de risco atribuída ao Brasil mais provável neste ano. Já a Fitch e a Moody's parecem mais dispostas a esperar para ver o que Dilma fará em 2015 para corrigir os desequilíbrios macroeconômicos.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Entre juros e inflação

COLUNA NO GLOBO


Três empresários entrevistados pela coluna não tiveram dúvidas ao responder o que é pior: juros altos ou inflação? Todos acham que, para o setor produtivo, o que mais atrapalha é a inflação, que aumenta o custo das empresas. Por isso, entendem a necessidade de o Banco Central subir a Selic. O problema, dizem, é que também é preciso que o governo corte gastos e faça reformas. Isso não tem acontecido.

Há algumas diferenças entre a visão do empresariado e a do sistema financeiro sobre a economia brasileira. O pessimismo ficou maior nos bancos e nas consultorias; já o empresário, embora reconheça um cenário mais difícil, tenta manter a expectativa de que o futuro vai ser melhor e cita as baixas taxas de desemprego e o consumo forte.

— O Brasil não estava nem tão bem quanto muitos achavam em 2010 nem está tão mal agora. Nosso faturamento continua crescendo a taxas de dois dígitos. O natal veio abaixo do esperado, mas houve o black friday pouco tempo antes e as liquidações de janeiro foram boas — avalia o presidente da Positivo Informática, Hélio Bruck Rotenberg.

— Para a nossa indústria, 2013 não foi um desastre. Não foi um ano excelente, mas foi um bom ano, lançamos 180 produtos novos, o plano de investimentos foi mantido e o Brasil continua sendo o segundo maior mercado da nossa empresa no mundo — disse João Carlos Brega, CEO da Whrilpool Latin America.

Quem destoa desse cenário é o diretor-secretário da Abimaq, Carlos Pastoriza. Ele explica que a alta dos investimentos medida pelo IBGE — 9,6% de janeiro a novembro — não reflete a situação do setor de máquinas porque é a produção de caminhões que tem puxado o indicador para cima. Ele explica que o segmento de máquinas-ferramenta acumula queda de 50% em cinco anos, e que apenas as máquinas agrícolas estão com vendas aquecidas.

— Nosso setor teve queda real no faturamento de 3,4% em 2012 e de 5% em 2013. Esperamos nova retração em 2014. Há um processo silencioso de desindustrialização no Brasil. As empresas estão virando importadoras e maquiladoras. O déficit comercial do setor de máquinas chegou a US$ 20 bi em 2013.

Pastoriza é cético em relação ao baixo desemprego. Acha que o país tem gerado muitas vagas de baixa qualificação, e isso explica porque há tanta gente trabalhando e ainda assim o PIB continua fraco.

— Não temos criado vagas em setores importantes, que têm efeito multiplicador e geram valor agregado para a economia. São milhares de empregos em call centers, por exemplo, setores ligados a serviços que exigem baixa capacitação — disse.

De qualquer maneira, o número forte de empregados mantém o comércio aquecido e isso favorece empresas ligadas ao consumo. O que realmente tem incomodado o empresário, de qualquer segmento, é a inflação alta e o aumento dos juros. Ainda assim, tendo que escolher, os empresários ouvidos acham que é melhor subir os juros para combater a alta dos preços.

— Sempre vamos reclamar da Selic, que encarece o custo do capital. Mas, com a inflação crescendo, não há outro jeito. O ideal seria subir juros, no curto prazo, e fazer reformas e cortar gastos públicos. Com inflação de 6%, 7%, há aumento de salário que chega a 10%. A produtividade não acompanha — disse Rotenberg.

Sem saber o que havia dito Rotenberg, a resposta de João Carlos Brega foi semelhante:

— A inflação preocupa, principalmente a indexada, que está mais ligada aos salários, como o mínimo. Aumento de produtividade de 7% em um ano não existe, e há salários crescendo nessa magnitude — afirmou.

O dólar alto, como já dissemos aqui, tem sempre duas faces. Se ele ajuda as empresas ligadas à Abimaq, fazem mal à Positivo e a Whirlpool, que trabalham com componentes eletrônicos de preços internacionais, mesmo se foram fabricados no Brasil.

Precisamos correr atrás SIM

A economia mundial vai crescer 3,2% em 2014, estabilizando nos 3,4% e 3,5% nos dois anos seguintes – aumento de cerca de 1 ponto percentual em relação aos 2,4% de 2013, prevê o Banco Mundial em seu relatório bianual Perspectivas Econômicas Globais. De acordo com o documento, divulgado hoje dia 15 em Washington, a economia mundial deverá se fortalecer em 2014, e os países desenvolvidos devem conseguir se recuperar da crise financeira mundial, ao fim de cinco anos.

A estabilização do crescimento acima dos 3% neste e nos próximos dois anos terá como base não só a produção de riqueza nos países em desenvolvimento e o forte crescimento chinês, mas também a aceleração econômica dos países desenvolvidos, segundo o relatório. Porém, o documento aponta risco para esse resultado otimista, entre os quais, o aumento das taxas de juros e as consequências do fim do estímulo à economia nos Estados Unidos.

Por aqui já estamos sentindo isso, nossa Selic, ex 7,25%, nos atuais 10,50% não só é um reflexo da clara intenção do governo de frear a inflação, tão importante em ano de eleição e calejada dos brasileiros, mas também é reflexo justamente do fim gradual de estímulos da economia norte-americana, que colocará um fim à enxurrada de dólares colocados à mesa, muitos dos quais vinham encontrar destino nos mercados emergentes, mas também da intenção do governo de criar um ambiente (mesmo que altamente especulador) porém, mais atrativo para o capital estrangeiro, óbvio que cairá por terra caso o Brasil sofra um rebaixamento de rating, mas por enquanto essa é uma possibilidade apenas rascunhada.

Outro ponto delicado desse "viés" de crescimento econômico é justamente atribuir bom peso à economia chinesa, pois qualquer mudança, por menor que seja, cria efeitos drásticos em nossos mercados, principalmente de curto prazo no que diz respeito à bolsa de valores. Continuo afirmando que o Brasil possui demanda interna para minimizar os efeitos dos mercados externos.
 



sábado, 18 de janeiro de 2014

Quando vai aprender?

Método para definir preço da gasolina é 'estritamente interno', diz Petrobras
Estatal enviou comunicado à CVM por conta de notícias sobre reajuste. Segundo jornal, governo e estatal preveem uma nova alta neste ano.


A Petrobras disse que a metodologia da empresa para definir os preços dos combustíveis "é estritamente interna", segundo comunicado desta sexta-feira (17), à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O texto foi uma resplosta da empresa a quesionamento da CVM em relação à existência de um acordo entre o governo e a estatal para reajuste dos combustíveis entre 4% e 8% em junho próximo, relatada pelo jornal Folha de S. Paulo na última quarta-feira (16).

Segundo a reportagem do jornal, o calendário de reajuste, que não foi divulgado pela Petrobras, faz parte dos pontos do mecanismo aprovado em dezembro passado pelo conselho de administração da empresa, que é presidido pelo Ministério da Fazenda. Esse mecanismo não foi detalhado pela estatal, diferente do que o mercado esperava.


"Por razões comerciais os parâmetros da metodologia de precificação do diesel e da gasolina são estritamente internos à companhia", diz a nota desta sexta. A empresa afirma ainda que "procura não comentar sobre rumores e especulações".


A Petrobras trata suas coisas como se não fosse uma empresa de capital aberto. Era óbvio até para uma criança de cinco anos que o mercado iria punir severamente as ações após a divulgação ou melhor dizendo, a não divulgação da nova metodologia de precificação de combustíveis. Quer tratar isso internamente? É um direito que qualquer empresa tem, exceto aquelas com ações na bolsa de valores. Claro que pesa sobre a cotação também o cenário fiscal, câmbio, risco de rebaixamento de rating, transparência do governo e etc. Mas o fato é que dia 18 de novembro de 2013, a ação fechou na máxima do ano, cotada a 21,44. Ontem, dia 17 de janeiro de 2014 ela fechou a 15,51, queda de 38,23%. Ainda estou tentando entender que questões comerciais são essas.

Particularmente, para bolsa de valores, acredito que esse seja o ano de realizar financiamentos, dado o viés de baixa e de lateralidade do mercado e de montar estratégias short.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Juros sobem para 10,5%

BACEN à Deriva


Um tanto quanto surpreendente a atitude do Bacen. Fato que a curva de juros já estava precificada, entretanto, o movimento do Banco Central, embora correto, foi extremamente anti-político, ainda mais em ano de eleição. Conforme disse, o mais acertado teria sido aguardar o rolar dos indicadores ou até mesmo agir com parcimônia e agradar gregos e troianos subindo em 0,25% a Selic.

Claro que entre juros e inflação, eu fico com os juros, creio que os demais também!

A questão toda é que as medidas não giram em torno de um plano maior, a longo prazo, estruturado, transparente e correto, aliás, muito pelo contrário, nossa política econômica só vai até a página dois, ela só enxerga que José está na prisão e que isso está errado, ela não consegue ver que lá na frente ele irá se tornar governador e estar na prisão é necessário (rápido comparativo bíblico).

No caso da política monetária os fins sim, justificam os meios. Lá atrás deveriam ter pensado nos efeitos de curto e médio prazo ao reduzir para 7,25% a Selic, era óbvio que iria estourar na inflação, mas com o viés do crescimento ratificando as ações estava tudo certo. O problema é que esse crescimento não veio em 2012, não veio em 2013 e ao que parece, também não virá em 2014, caso contrário não haveria aumento dos juros, que além de [tentar] controlar a inflação, coloca um freio na economia, e não esqueçamos do aumento do IPI, mas isso também é assunto para outro tópico.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Só na base da especulação mesmo

Parece que só na base da especulação lavada para que as ações da "gigante" Petrobras tenham fôlego para subir


http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2014/01/bovespa-retoma-os-50-mil-pontos-impulsionada-por-petrobras.html
Bovespa retoma os 50 mil pontos, impulsionada por Petrobras
Ibovespa registrou alta de 0,81%, a 50.105 pontos.
Petrobras avançou com rumor de acordo para novo aumento da gasolina.

Mais tarde...

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/reajuste-de-combustivel-e-tema-privativo-da-petrobras-diz-ministerio.html
Ministério e Petrobras negam acordo para alta de combustíveis em junho
Segundo jornal, governo e estatal preveem um novo reajuste este ano.
Empresa reafirma que 'não existe decisão para o aumento dos preços'.


Reportagem divulgada nesta quarta no site do jornal "Folha de S.Paulo" afirmou que o governo e a estatal estimam para junho um novo aumento da gasolina e do diesel. Em nota divulgada após o fim do pregão, o Ministério de Minas e Energia afirmou que a notícia "não tem fundamento" e que "esse tema não foi tratado pelo governo federal e é privativo da Petrobras".Em virtude do efeito dos rumores nos preços das ações da Petrobras, o ministério afirmou que pedirá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que investigue o episódio. Ações ordinárias da empresa avançaram mais de 3% e as referenciais, mais de 2%, nesta quarta.

Seria cômico se não fosse trágico. Diante dessa macacada que presenciei de perto hoje, que impulsionaram magicamente as ações ON e PN em questão de minutos, acabo me perguntando, claro que é uma pergunta inútil, até por que já sei a resposta, mesmo assim, quando eventos como esse acontecem, é impossível, não se questionar, quase que mecanicamente:

"Quem raios AFIRMOU para a Folha de São Paulo, que o governo (leia-se governo) e a estatal estimam para junho um novo aumento da gasolina e do diesel?" Mas essa não é a pior parte, até por que na sequência o ministério afirmou que pedirá à CVM que investigue o episódio. Sabemos bem onde isso vai terminar, a única dúvida que fica é se será com borda simples ou recheada?

Apenas para terminar, a Folha de São Paulo não publica qualquer matéria ou artigo sem primeiro investigar a veracidade da informação, como esse não foi o caso, só nos resta imaginar que alguém do próprio ministério, com muita influência nos meios, pediu, encarecidamente, que tal matéria fosse posta no site. Até porque é ridículo, é simplesmente ridículo a Folha anunciar isso e tanto o governo quanto a Petrobras, após o fechamento do mercado, desmentirem.

Depois perguntam porque nosso mercado está tão ruim em relação aos pares internacionais, bem, essa é fácil de responder: falta nosso governo demonstrar confiança e transparência para que os estrangeiros voltem a investir pesado. Sem contar a diminuição gradual do QE3, e seu viés negativo, bem, mas esse já é outro assunto!







terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Fôlego Novo 2014

As razões de quem acredita em 0,25% e em 0,5% de alta nos juros

Na primeira reunião de 2014, o Copom deve subir os juros; bancos e consultorias estão divididos em relação ao ritmo do aumento e a cada hora um muda de opinião. Levantamento feito pelo "Estadão" mostra que a maioria agora está prevendo uma elevação de 0,25 ponto.

Muita gente estava achando que o BC reduziria o ritmo, elevando mais duas vezes a Selic em 0,25 ponto, e depois pararia para ver o efeito na economia, se reduziria a inflação ou não. Nesse momento, o crescimento está baixo e o IPCA, alto. É nesse dilema que está o BC há alguns meses.

Quando saiu a inflação de dezembro, na sexta-feira, ficou todo mundo confuso, porque veio mais alta do que se pensava. O BC queria um número menor que o de 2012, mas fechou em 5,91%.

O governo, ao longo do ano, tomou várias decisões que não vão se repetir (congelamento de tarifas públicas, revogação de aumentos). Por isso, os preços administrados só subiram 1% em 2013.

Para complicar a situação, a entrevista do secretário do Tesouro, Arno Augustin, hoje, ao "Valor", criou mais uma dúvida. Disse que as críticas à política fiscal vêm de "atores" que querem que os juros subam. De certa forma, está dizendo para o BC não subi-los.

Diante de uma inflação alta e de uma política fiscal sobre a qual há dúvida, o BC vai reduzir o ritmo? Tem um grupo que acha que os sinais dados e a própria inflação surpreendendo negativamente e mais resistente levarão o BC a aumentar a taxa em 0,5 ponto, para 10,50%. O grupo majoritário, por outro lado, fala em 0,25 ponto.

A taxa de juros virou o único remédio - amargo, que tem efeitos colaterais ruins - contra a inflação, quando não deveria ser. Ministério da Fazenda e BC deveriam jogar na mesma direção. A questão é que há muito tempo eles não jogam um jogo inteiro juntos, podem até fazer algumas boas jogadas, tabelas, cruzamentos e etc, mas ao longo da partida, fica muito claro que há interesses muito particulares em ambos.

Particularmente, para a próxima reunião não acredito em alta de 0,25% tampouco de 0,5% nos juros. A inflação fechou 2013 acima do esperado, sim, entretanto, para um ano de eleição, não creio em mexidas bruscas antes do fim do primeiro tempo. Nesse caso, os indicadores de crescimento desse ano serão o start para justificar mais altas. Se a projeção de crescimento continuar na casa dos 2% como foi em 2013, não tem porque o governo mexer mais, pelo menos não até outubro.

Afinal, em ano de copa do mundo, a reeleição está quase garantida!