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quarta-feira, 16 de maio de 2012

No Chão

Até onde nossa bolsa poderá cair?


Encontramos um forte suporte na casa dos 55.000 pontos, se bem que tínhamos suporte nos 58.000, nos 60.000, nos 62.000, que foram praticamente ignorados nos últimos dias. Alguns analistas adotaram a seguinte opinião, de que os mercados já estariam precificando uma provável saída da Grécia da zona do euro, bem, tal hipótese não pode ser totalmente descartada, entretanto, não podemos nos esquecer que outros países também estão em situação delicadíssima.

Portugal tende a ser a nova Grécia, Espanha e Itália estão altamente endividados, França apresenta um quadro apenas um pouco melhor, e a bem da verdade, a Alemanha (principal país da zona do euro)  está tentando carregar o piano sozinha no momento.

E não pense que apenas a Grécia se encontra numa "sinuca de bico", a própria União Europeia e o FMI ficam sem saber muito o que fazer, eles sabem que as medidas de austeridade fiscal beiram a humilhação e que algumas concessões seriam perfeitamente possíveis, por outro lado, temem que se abrirem exceções unicamente para a Grécia permanecer no bloco, poderão criar precedentes fatais no futuro.

Nessa salada, o Dow Jones e o Dólar que não tem nada haver(ou tem?) pedem passagem. Até quando seremos reféns do capital estrangeiro? A diminuição da Selic é um caminho, mas com a alteração das regras da poupança, o contribuinte pagará a conta?

A poupança não me atrai mais, a bolsa de valores muito menos, e o colchão Castor?

sábado, 12 de maio de 2012

Implicações Gregas

Até onde vai a crise?


Recentemente fui indagado sobre até onde irá a crise e até que ponto nosso mercado e nossa bolsa são afetados.Me perguntaram também: o que está realmente acontecendo?

O que está realmente acontecendo foi fácil de responder em algumas poucas palavras, "Medo em escala".
Irlanda até pouco tempo atrás, Espanha (terceira maior economia da "zona do euro", Itália, Portugal e por fim Grécia, todos quebrados, uns mais outros menos, daí é questão de ajustar opiniões à fatos.

A cada dia que passa vemos a Alemanha cada vez mais sozinha, tentando tocar o barco, impondo, debaixo do aval do FMI e da UE (que ela própria "preside") humilhantes exigências para que os países quebrados, nesse caso a Grécia, consigam ajuda. Tudo caminhava relativamente "bem", o antigo governo grego, já prevendo uma inevitável derrota nas eleições, demorou, mas aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo cedeu às exigências feitas pela UE, medida que o condenou, eles estavam entre a cruz e a espada, e o objetivo aqui não é dizer a ação tomada foi acertada ou não, o fato é que, a Grécia conseguiu a primeira parte da prometida ajuda, rolou sua dívida, repito, ROLOU sua dívida, em paralelo, os EUA mostravam a cada semana fortes dados econômicos, mostrando ao mercado que estavam se recuperando do nocaute de 2008.

Tanto que, nossa bolsa chegou aos 68.000 pontos em fevereiro, gingantes como Petrobrás, OGX, Vale do Rio Doce, Itaú, Bradesco, Gerdau, tiveram ganhos de até 20% em suas ações. O problema estava disfarçado, foi jogado para debaixo do tapete, mas...


A população grega, humilhada pela União Europeia e pelo FMI, manifestou sua indignação nas urnas e nas ruas... Pena que aqui nem na rua mais nós saímos mais, por muito menos Color foi crucificado e estamos prestes a ver vinte anos de PT no poder, bem mas não foco também.

Voltando ao assunto, o novo governo grego, num misto de coragem com marketing, está dizendo NÃO aos cortes orçamentários que o antigo governo deixou acontecer. Angela Merkel (Alemanha), já disse que, ou você está conosco ou contra nós, deixando bem claro que, ou a Grécia acata novamente ou pega suas trouxas e sai fora da "zona do euro". E aí é que está o problema, já me perguntaram, que tamanha importância pode ter a Grécia no cenário econômico global que afete tanto assim os mercados?

As vezes não é o conteúdo da mensagem em si, mas o que ele significa. Nesse caso, significará que a União Europeia (Euro), não é tão unida assim, está mais para anarquia do que democracia, aquela sensação de que tudo podemos em nós mesmos, cairá, ou melhor, já está caindo por terra, e novamente o fantasma do fim do euro assola os pesadelos dos até mais otimistas, hoje é a Grécia, depois quem sabe Portugal ou Itália... Atualmente, ninguém está montando grandes posições, nossa bolsa por exemplo, quando sobe, é meio porcento com baixo volume e cai dois com dez bilhões de volume.

Basta vermos o tamanho da valorização do dólar nas últimas semanas, saindo totalmente daquele range de oscilação "definido" pelo Banco Central. A recessão europeia tem imenso impacto em nossos mercados, não temos mais aquele colchão de segurança, basta vermos também como nosso índice Ibovespa está descolado do Dow Jones, nosso maior cliente, a China está desacelerando fortemente, impactada pela falta de demanda na Europa, ou seja, Petrobrás e Vale está num mato sem coelho, aliás, está ficando até mato.

Para esse ano não acredito mais nos setenta mil pontos do índice, aliás, está começando a ficar difícil de acreditar até nos sessenta e cinco mil, e enquanto não houver luz no fim do chique túnel europeu, as coisas por aqui não irão melhorar, vimos nas últimas semanas bons dados da economia norte-americana que não têm sido suficientes para animar nossa bolsa, ou seja, nosso foco é Europa / Ásia.


Deus salve a rainha, ops, eles não estão na "zona", e agora?...

domingo, 6 de maio de 2012

Dados Europeus:

Assim fica difícil acreditar:

Alemanha, desemprego ficou estável em 6,8%.

Espanha, manufatura caiu para 43,5 pontos.

França. Manufatura revisada para baixo, 46,9 pontos.

Grécia, S&P elevou o rating para CCC, perspectiva estável.

Portugal, vendeu 500 milhões para 6 meses, com yield médio de 2,935% e 1 bilhão para 12 meses com yield médio de 3,908%.

Reino Unido, manufatura caiu para 50,5 pontos, PMI construção caiu para 55,8 pontos.

Zona do Euro: PMI Manufatura revisada para baixo, 45,9 pontos; taxa de desemprego subiu para 10,9%.


A tragédia grega – não concluída – será seguida por outras. Descobriu-se que políticas fiscais contracionistas tem o condão de piorar as condições econômicas e apontar para mais problemas fiscais adiante. Descobriu-se, adicionalmente, que a crise europeia talvez não seja uma crise fiscal, senão que uma crise de balanço de pagamentos. O banco central alemão está acumulando créditos contra os BCs dos países deficitários, ou seja, contra praticamente todos os países da zona do euro. Estamos diante dos primeiros sinais de uma mudança drástica na estrutura governamental da União Europeia. 


De União Europeia à Submissão Europeia?

Brasil: BC vai cortar juros, mas com parcimônia. Afinal, qual é a deles?

Ata do Copom sinaliza tendência de queda e mercado aposta em redução de 0,25 a 0,5 pontos percentuais na taxa básica, hoje de 9%.

No texto, o BC afirma que, mesmo considerando uma recuperação da atividade econômica em um ritmo menor do que o esperado, “qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia”. Engraçado que na ata da reunião anterior, o BC havia indicado o contrário, atribuindo a probabilidade de que a Selic ficasse em “patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos”, de 8,75% ao ano.

Maio, para os especialistas, promete nova rodada de volatilidade. Podemos esperar mais lateralidade para as próximas semanas devido à divergência entre os resultados corporativos americanos e os dados macroeconômicos europeus.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Retratos comparados

Enviado por Míriam Leitão (comentado)


A crise custou ao mundo 50 milhões de empregos, o Brasil aumentou o nível de emprego, de formalização, e retirou pessoas da pobreza durante esse período difícil. É o que fez a OIT dizer que a “resiliência do Brasil tem sido impressionante”. O país sabe bem o que falta fazer: quase 40% dos trabalhadores estão fora do mercado formal; há ainda trabalho infantil e trabalho degradante.

Quando um país não está em crise é que se pode melhorar mais, por isso, este é o momento para avaliar as condições de trabalho, em geral, ver o que tem mantido percentual tão alto de informalidade, e entender a persistência, por exemplo, no rico agronegócio brasileiro, de empresas na lista suja do trabalho escravo. No primeiro de maio em que o nosso retrato do mercado de trabalho aparece bem nas análises da OIT — quando comparado aos outros — é que temos que nos esforçar para avançar mais.

Em época de crise é mais difícil, como bem sabe a Europa, onde as taxas de desemprego aumentaram em dois terços dos países, e, em alguns, de forma alarmante. Depois de quatro anos de crise (desde o subprime de 2008) , começa a crescer o desemprego estrutural. Países como a Espanha, onde de cada dois jovens um está desempregado, estão em séria encrenca.

Os países e as famílias investiram na formação de jovens, que agora, na hora de serem colhidos pelo mercado de trabalho, são barrados. Isso leva a desalento, conflitos, migração para outros países e reduz o dinamismo da economia. O cálculo é que só com os 375 mil espanhóis que já perderam o emprego este ano o país deixará de arrecadar 1 bilhão de euros.

A OIT disse que os países que estão em crise, especialmente os da Europa, estão prisioneiros da armadilha da austeridade: os governos cortam gastos e constroem, com novos cortes, uma trajetória de queda dos déficits e das dívidas. Ao fazerem isso, reduzem o ritmo de crescimento da economia ou produzem recessões. Isso diminui mais ainda a arrecadação e eleva o déficit, em vez de reduzir.(Não tem muito o que fazer para o curto prazo, já disse isso antes, o caminho menos oneroso seria fortalecer a recuperação dos bancos).

A armadilha é esta, todos sabem. O problema é como sair dela. Elevar o gasto público simplesmente fará a economia cair em outra armadilha. O governo aumenta o gasto e isso eleva o risco de o país ter dívida e déficit crescentes. Isso afasta os financiadores ou obriga o governo a pagar mais nas rolagens dos seus títulos (basta lembrarmos as yields da Espanha, Grécia, Portugal e Itália). Quanto maior o déficit, maior a percepção de risco, maiores os juros cobrados, e maior o déficit.

Então alguns dos países da Europa estão entre a armadilha da austeridade e a armadilha da elevação do risco. O final é sempre o aprofundamento da crise. Não é trivial sair desse verdadeiro dilema do prisioneiro: expressão usada para definir situações quando só há opções difíceis.

A conjuntura exige mais dos governos na busca de soluções. Não bastará escolher entre o corte indiscriminado de gastos, que deprime a economia, ou a elevação insensata de gastos, que eleva a percepção de risco.

É dentro desse contexto que os governos europeus começam a costurar, para a reunião de cúpula de junho, o pacto pelo crescimento. A ideia é criar um fundo, gerido pelo Banco Europeu de Desenvolvimento, que invista para destravar os investimentos privados. A ideia por trás do plano é que há trilhões de potencial de investimento privado que não são feitos por causa do ambiente de falta de confiança produzido pela crise. O fundo se destinaria a estimular esses investimentos.

A conjuntura é complexa, e a crise, de longa duração. Diante disso, o Brasil precisa fortalecer os fatores que o levaram a ter “resiliência”. A arrecadação está subindo, é possível reduzir o déficit ainda mais para fortalecer a confiança na solidez da economia brasileira. O mercado de trabalho está demandando mais e mais trabalhadores e por isso é preciso encontrar formas de reduzir o desemprego de jovens, que tem oscilado entre 13% e 14% nos últimos anos para a faixa dos 18 a 24 anos.

Só para ficar claro o conceito: quando se fala de desemprego nesta faixa etária não está se contando os que estão dedicados ao estudo e deixaram para mais tarde o ato de procurar emprego. Entra na estatística como desempregado apenas quem procura e não consegue vaga.

Esta é a hora de se fazer um esforço pelo trabalho decente, que combata todas as formas de trabalho degradante ou análogo à escravidão, o trabalho infantil, a informalidade e as desigualdades no emprego como as que sofrem mulheres e negros. Nas crises, todas essas perversidades pioram. Nos bons momentos é que é preciso combatê-las porque assim cria-se o círculo virtuoso: a melhoria de renda, o trabalhador mais protegido, a redução das desigualdades, o aproveitamento de todos os talentos levarão a uma economia ainda mais robusta.

Por enquanto, as iniciativas para reduzir o custo que pesa sobre a empresa que cria empregos são restritas a alguns setores industriais. Não há estímulo a que a empresa empregue mais jovens que não têm experiência. Não há qualificação suficiente. Há muito o que pode ser feito.

Seria um erro ler os relatórios nos quais estamos muito melhores que outros países e achar que não há nada mais a fazer. O mercado de trabalho do Brasil melhorou, mesmo durante a crise, mas o que torna a comparação mais favorável a nós é que eles pioraram muito.