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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Dia Interessante

O pacote de estímulos do governo chinês de 157 bilhões parece ter dado uma injeção de ânimo ao mercado. Embora ainda esteja no campo especulativo, pois, ninguém sabe ao certo de onde virá o dinheiro, o fato é que, diversos papéis, principalmente VALE subiram fortemente nesta segunda-feira.



China: importações caem, mas aumenta a compra de minério

Saíram dados importantes hoje sobre a China que, recentemente, anunciou um pacote de investimentos em infraestrutura de US$ 157 bilhões para estimular a economia. Em agosto, as importações caíram, o que não era esperado, enquanto as exportações cresceram menos do que estava previsto. 
Por causa da crise internacional, a China cresce num ritmo um pouco menor - a previsão para o PIB deste ano é de alta entre 7% e 7,5%, depois de ter avançado mais de 9% no ano passado. Como a economia desacelerou, o governo vem baixando juros e, agora, lançou esse superpacote de investimentos para tentar estimulá-la.
O gráfico abaixo mostra a evolução das importações chinesas ao longo dos últimos anos e a queda registrada em agosto. Esperava-se alta de 3,5%, mas as importações acabaram recuando 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado - a útima queda tinha ocorrido em janeiro de 2012 e a penúltima em outubro de 2009, segundo o economista André Perfeito.
A boa notícia é que houve alta de 7,9% nas importações de minério de ferro em agosto em relação ao mês anterior. O Brasil, como se sabe, vende muitas commodities para a China, principalmente minério de ferro.
Já as exportações cresceram 2,7% em agosto, um pouco abaixo do esperado (3%). Mas por conta da queda das importações, o superávit comercial da China foi de US$ 26,7 bilhões em agosto, acima do previsto - um número abaixo de US$ 20 bi. 
- O dado de importações foi frustrante. A China está indo bem, mas demandando menos do mundo. Mostra uma situação menos positiva para a atividade global - diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

sábado, 1 de setembro de 2012

Economia desafiadora


O PIB cresceu pouco no segundo trimestre: 0,4%. O que cresceu foi puxado pela agropecuária, que subiu 4,9%, mas tem baixo peso na fórmula de cálculo do IBGE. Pesou mais o encolhimento da indústria, de 2,5%. O investimento diminuiu, e o consumo aumentou, tanto das famílias quanto do governo. Apesar de todos os estímulos, o país cresceu apenas 1,2% nos últimos 12 meses.

Durante um ano o Banco Central derrubou os juros. O primeiro corte foi em primeiro de setembro de 2011. Em 12 meses, a Selic caiu de 12,5% para 7,5%, numa redução de cinco pontos que levou o país aos juros mais baixos da história. Ainda assim, a economia esfriou. No acumulado de 4 trimestres, há uma desaceleração contínua: no terceiro trimestre de 2010 o país estava crescendo a 7,6%; no dado de ontem, foi para 1,2%.

Os 7,6% foram um ponto fora da curva, pelos excessivos estímulos na eleição presidencial de 2010. O 1,2% atual também se espera que seja um ponto fora da curva. A desaceleração foi maior do que se imaginava. O que intriga é a resistência da economia, que permanece fria apesar de tantos estímulos monetários e fiscais.

A desaceleração foi em parte resultado da piora da crise internacional. Mas isso não explica tudo. A inflação caiu fortemente pelo desaquecimento interno, pela queda do preço de algumas commodities, como resultado da crise externa. A inflação foi de 7,3% em setembro passado para 4,9%. Depois voltou a subir para 5,2%. O cenário econômico está se complicando: a economia está fria, apesar dos estímulos, e a inflação já está subindo.

A alta da inflação é em grande parte efeito do choque agrícola que o mundo está vivendo pela seca nos Estados Unidos. Outra parte é impacto do dólar. O ritmo de crescimento deve melhorar até o fim do ano. O risco é a indústria aproveitar o bom momento e repassar aos preços o impacto do câmbio. Os IGPs já estão subindo. O acumulado em 12 meses do IGP-M estava em 8% em agosto passado, caiu para 3,3% e agora está em 7,7%. Só no mês passado, o preço agrícola no atacado subiu 6%. Não é trivial a tarefa que o BC tem pela frente. Precisará, como avisou, ter “a máxima parcimônia” nos estímulos monetários daqui para diante.

O empréstimos e os calotes permanecem em alta. O estoque de crédito na economia subiu novamente em julho e atingiu 50,7% do PIB, num ritmo de crescimento de 17,7% em 12 meses. Em julho do ano passado, estava em 46,1%. A inadimplência das pessoas físicas voltou a 7,9%, mesmo com a queda dos juros e o aumento dos prazos para pagamento.

Difícil achar que esse ritmo de alta do crédito seja sustentável, mesmo que caia para um nível de 15%, que o Banco Central considera como “moderado”. O estoque das dívidas em atraso é de R$ 83 bilhões, com uma alta de 28% nos últimos 12 meses. O crédito podre subiu 20% em um ano e já soma R$ 68 bilhões.

A presidente Dilma Rousseff chegará à metade do seu mandato, no fim do ano, com dois números anuais magros de crescimento econômico e sem pousar a inflação no centro da meta. O desafio dos condutores da economia não é fácil. O nível de atividade vai responder mais positivamente no segundo semestre aos estímulos, mas isso tem que acontecer sem aumentar a inflação. Num quadro de aceleração, será mais fácil manter o que tem sido a boa notícia que é o mercado de trabalho aquecido. Apesar da alta do dólar, as exportações caíram no PIB do segundo trimestre. O incentivo via crédito está claramente se esgotando. O segredo tem que ser aumentar o investimento. Com mais investimento o país pode ter em 2013 um ritmo mais forte de crescimento.