Total de visualizações de página
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Porque o varejo vai numa direção e a indústria na outra
Os números divulgados hoje pelo IBGE mostram, mais uma vez, que o varejo caminha numa direção e a indústria, que coleciona números negativos, na outra. Em abril, as vendas do comércio cresceram 0,8% em relação a março, no mesmo período, a produção industrial teve queda de 0,2%, como o instituto já tinha divulgado.
No ano, as vendas do varejo já subiram 9,2% e, em 12 meses, 7,2%; enquanto a indústria amargou queda de 2,8% e de 1,1%, respectivamente.
A economista Mariana Oliveira, da consultoria Tendências, atribui o bom desempenho do varejo a fatores que impulsionam o consumo doméstico. O emprego e a renda vão bem. Já a indústria é afetada, segundo ela, pela perda de competitividade dos produtos nacionais nos últimos anos.
- Um contexto de câmbio valorizado com demanda fraca em outros países acaba por favorecer as importações em detrimento da fabricação nacional, além de enfraquecer a demanda externa, reduzindo também as exportações de manufaturas brasileiras, o que explica o fraco desempenho da indústria - diz a economista.
Os destaques do varejo
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, também comentou os dados de abril do varejo. Na comparação ano a ano (abril contra o mesmo mês de 2011), ele destaca as altas nas vendas de material de escritório (33,2%); material de construção (12,9%); e móveis e eletrodomésticos (12,1%).
Entre março e abril, o desempenho desse último setor também foi positivo. Olhando os dados do IBGE, Mariana Oliveira aponta como destaque o crescimento de 1,5% nas vendas de móveis e eletrodomésticos.
- Contribuem para esse resultado o incentivo via redução de IPI associado a um desempenho positivo no mercado de trabalho e no mercado de crédito para financiamentos desses bens - diz.
Já as vendas do setor de supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram a terceira queda seguida, agora, de 0,8%. Apesar disso, acumulam alta de 5,6% em 12 meses e de 9,3% no ano.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Como está a Grécia, às vesperas das eleições
O setor bancário grego divulgou hoje mais um dado que chama a atenção: entre 500 milhões e 800 milhões de euros estão sendo sacados por dia. As agências de notícias internacionais dizem ainda que as pessoas estão comprando alimentos enlatados e massas, por medo da volta do dracma, após as eleições de domingo.
Em artigo publicado no Financial Times, Alexis Tsipras, do Syriza, coalizão de esquerda que tem chance de ganhar a disputa, comprometeu-se a manter a Grécia na zona do euro. Mas ele quer trocar o "falido" memorando (resgate) por um "plano nacional para a reconstrução e crescimento", como diz a matéria do "El País".
A UE relacionava a vitória do Syriza à saída do país da união monetária, porque Tsipras prometeu renegociar as condições do resgate.
Mas a Europa pode estar mudando de opinião. Segundo o diário Financial Times Deutschland, como a região quer que a Grécia continue na zona do euro, estaria disposta a renegociar essas condições, seja qual for o resultado das urnas.
- A zona do euro quer negociar com a Grécia o relaxamento do plano de austeridade. Seja qual for o resultado das eleições de domingo, será necessário negociar - diz o diário, citado pela Europa Press.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Confiança é a palavra-chave
O dia merecia mais. Sabe aquela sensação de que ficou faltando algo, aquele sentimento de, "poxa, podia ter sido melhor"... assim foi o mercado hoje. O dia que tinha tudo pra subir, mas caiu.
Ibovespa caiu 0,79% a 54.001 pontos. Que decepção. Enquanto os investidores estrangeiros não adquirirem confiança novamente, nossa bolsa ficará estagnada nesse canal curto de oscilação entre 52.500 e 56.000 pontos. Tendo em vista que as pessoas físicas, residentes em geral, possuem enormes concentrações das famosas Petro e Vale, que estão travadas, enquanto não houverem novas variáveis, ficará difícil enxergar até mesmo um fechamento de 60.000 pontos para o fim do ano.
A novela grega continua, adiada pelo menos até a próxima segunda-feira, quando haverá novas eleições no país, podendo de uma vez por todas por um fim ou um novo começo na crise europeia. E por falar em crise, a Espanha recebe socorro no coração de sua economia, o sistema bancário. Continuo dizendo que a recuperação dos bancos é a forma menos onerosa de se recuperar um país.
O problema é que estamos tentando enxergar péssimas notícias com bons olhos, a ajuda que a Espanha receberá de mais de 100 bilhões de euros à seus bancos, nem de longe chega a ser algo bom, o investidor deveria se sentir seguro porque seu banco pediu ajuda?
Fora que, é um "empréstimo", uma hora a conta tem que ser paga, e 100 bilhões de euros é aproximadamente 10% do PIB Espanhol, coisa pouca. Sem contar o primeiro pacote bilionário de ajuda a Grécia, ou os títulos governamentais emitidos semana após semana numa tentativa meramente pontual de colocar um band-aid numa hemorragia.
Pensando bem, o dia foi como deveria ter sido.
Ibovespa caiu 0,79% a 54.001 pontos. Que decepção. Enquanto os investidores estrangeiros não adquirirem confiança novamente, nossa bolsa ficará estagnada nesse canal curto de oscilação entre 52.500 e 56.000 pontos. Tendo em vista que as pessoas físicas, residentes em geral, possuem enormes concentrações das famosas Petro e Vale, que estão travadas, enquanto não houverem novas variáveis, ficará difícil enxergar até mesmo um fechamento de 60.000 pontos para o fim do ano.
A novela grega continua, adiada pelo menos até a próxima segunda-feira, quando haverá novas eleições no país, podendo de uma vez por todas por um fim ou um novo começo na crise europeia. E por falar em crise, a Espanha recebe socorro no coração de sua economia, o sistema bancário. Continuo dizendo que a recuperação dos bancos é a forma menos onerosa de se recuperar um país.
O problema é que estamos tentando enxergar péssimas notícias com bons olhos, a ajuda que a Espanha receberá de mais de 100 bilhões de euros à seus bancos, nem de longe chega a ser algo bom, o investidor deveria se sentir seguro porque seu banco pediu ajuda?
Fora que, é um "empréstimo", uma hora a conta tem que ser paga, e 100 bilhões de euros é aproximadamente 10% do PIB Espanhol, coisa pouca. Sem contar o primeiro pacote bilionário de ajuda a Grécia, ou os títulos governamentais emitidos semana após semana numa tentativa meramente pontual de colocar um band-aid numa hemorragia.
Pensando bem, o dia foi como deveria ter sido.
sábado, 2 de junho de 2012
Perto do zero
Enviado por Míriam Leitão -
COLUNA NO GLOBO
O país parou.
O primeiro trimestre de 2012 teve um crescimento um pouquinho acima de zero: 0,2%. A novidade maior do PIB trimestral divulgado pelo IBGE foi que a indústria cresceu e a agropecuária despencou. O tempo castigou a soja no Sul do país, e a soja é um quinto do PIB agrícola. O pior dado foi a queda do investimento, que reduz as chances de forte recuperação a curto prazo.
Olhando as séries e separando cada componente do Produto, fica claro que o Brasil não tem conseguido manter o crescimento e as desacelerações são tão fortes quanto as altas. Depois de bater em 7,6% no terceiro trimestre de 2010, no acumulado de 12 meses, o crescimento perdeu impulso nos seis trimestres seguidos até chegar a 1,9%. E essa desaceleração é generalizada. A indústria caiu de 10,5%, na taxa em 12 meses, para 0,7%. A agricultura saiu de 6,3% para 0,8%. Serviços, de 5,7% para 2,1%.
Esse é o filme, ele mostra claramente que todos os componentes perdem força e o que tem sustentado algum crescimento é o consumo do governo e das famílias, apesar de estarem também desacelerando. A taxa de investimento da economia, em relação ao PIB, caiu de 19,5% no quarto trimestre para 18,7% no primeiro trimestre de 2012. E a taxa de poupança caiu de 18,7% para 15,7%.
Mas o grande mistério do dado foi o que aconteceu com a indústria, que cresceu 1,7% no primeiro trimestre comparado ao último do ano passado. Como é possível? Todos os dados antecedentes, como produção industrial, são fracos ou negativos. No acumulado de quatro meses, disse o IBGE na quinta-feira, a indústria teve queda de 2,8%. As indústrias reclamaram tanto que o governo deu ajuda, transfusão de dinheiro subsidiado, barreiras protecionistas, abatimento de impostos para setores.
Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, disse que a produção industrial tem uma medida diferente da que é usada para avaliar a indústria no PIB. A diferença seria que na produção industrial entra só a indústria de transformação e mineração. E foi a construção civil — incluída no dado da indústria do PIB — que cresceu mais. De qualquer maneira, os dados da indústria continuam não conversando com outros dados da indústria do próprio IBGE, da mesma forma que a produção agrícola destoa da forte queda do PIB agrícola. O número positivo da indústria não é resultado do pacote de medidas favoráveis às montadoras porque ele foi adotado após o primeiro trimestre.
Até o mês de maio as informações setoriais ou parciais mostram que vários segmentos industriais continuam fracos, portanto, o segundo trimestre será também de um número acanhado. A boa notícia é que nos meses seguintes a economia deve aquecer, mas para fechar o ano abaixo de 3%. Um dos problemas é a demanda mundial mais fraca por commodities.
— No 1º tri, a contribuição do comércio exterior foi negativa e continuará assim em todo o ano de 2012 — disse José Augusto de Castro, da AEB.
Ontem, bancos e consultores voltaram para seus modelos para reduzir a previsão de crescimento do ano. A Rosenberg Associados revisou de 2,7% para 2,3%. De acordo com Rafael Bistafa, a estratégia do governo de estimular o crescimento via demanda deve encontrar um obstáculo difícil: o nível de endividamento das famílias. O crescimento deveria ser puxado pelos investimentos do governo, mas eles caíram, como divulgou a Receita. O investimento privado está fraco porque ainda há capacidade ociosa na indústria. A RC Consultores revisou de 2,5% para 2,3% a projeção para o PIB.
Sérgio Vale, da MB Associados, acha que é “praticamente impossível” o país crescer mais do que 2,5%:
— Não depende de pacotes do governo, que são irrelevantes, mas de uma melhora do cenário internacional, que não virá neste momento.
Luis Otávio Leal, do ABC Brasil, acha difícil crescer mais do que 2,7%. O Bank of America disse que vai rever para baixo a previsão de 2,8%. O HSBC previa 3,2%, mas vai reduzir. O Itaú, que estava com uma previsão otimista para este primeiro trimestre, de 0,6% de crescimento — em vez do 0,2% que de fato ocorreu —, também vai rever sua projeção, hoje em 3,1%.
O Brasil cresceu menos do que o previsto porque o mundo está em crise? De certa forma. O primeiro trimestre foi mais tranquilo, tudo piorou em maio após as eleições gregas. Alguns países centrais, deste mundo que nos causa problemas, cresceram mais do que nós, como a Alemanha, 0,5%; Estados Unidos, 0,5%; Japão, 1%. Isso sem falar na Coreia do Sul, com 0,9%; México, 1,3%; e Chile, 1,4%. Esse vai ser um ano de baixo crescimento, mas pode melhorar no segundo semestre.
O primeiro trimestre de 2012 teve um crescimento um pouquinho acima de zero: 0,2%. A novidade maior do PIB trimestral divulgado pelo IBGE foi que a indústria cresceu e a agropecuária despencou. O tempo castigou a soja no Sul do país, e a soja é um quinto do PIB agrícola. O pior dado foi a queda do investimento, que reduz as chances de forte recuperação a curto prazo.
Olhando as séries e separando cada componente do Produto, fica claro que o Brasil não tem conseguido manter o crescimento e as desacelerações são tão fortes quanto as altas. Depois de bater em 7,6% no terceiro trimestre de 2010, no acumulado de 12 meses, o crescimento perdeu impulso nos seis trimestres seguidos até chegar a 1,9%. E essa desaceleração é generalizada. A indústria caiu de 10,5%, na taxa em 12 meses, para 0,7%. A agricultura saiu de 6,3% para 0,8%. Serviços, de 5,7% para 2,1%.
Esse é o filme, ele mostra claramente que todos os componentes perdem força e o que tem sustentado algum crescimento é o consumo do governo e das famílias, apesar de estarem também desacelerando. A taxa de investimento da economia, em relação ao PIB, caiu de 19,5% no quarto trimestre para 18,7% no primeiro trimestre de 2012. E a taxa de poupança caiu de 18,7% para 15,7%.
Mas o grande mistério do dado foi o que aconteceu com a indústria, que cresceu 1,7% no primeiro trimestre comparado ao último do ano passado. Como é possível? Todos os dados antecedentes, como produção industrial, são fracos ou negativos. No acumulado de quatro meses, disse o IBGE na quinta-feira, a indústria teve queda de 2,8%. As indústrias reclamaram tanto que o governo deu ajuda, transfusão de dinheiro subsidiado, barreiras protecionistas, abatimento de impostos para setores.
Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, disse que a produção industrial tem uma medida diferente da que é usada para avaliar a indústria no PIB. A diferença seria que na produção industrial entra só a indústria de transformação e mineração. E foi a construção civil — incluída no dado da indústria do PIB — que cresceu mais. De qualquer maneira, os dados da indústria continuam não conversando com outros dados da indústria do próprio IBGE, da mesma forma que a produção agrícola destoa da forte queda do PIB agrícola. O número positivo da indústria não é resultado do pacote de medidas favoráveis às montadoras porque ele foi adotado após o primeiro trimestre.
Até o mês de maio as informações setoriais ou parciais mostram que vários segmentos industriais continuam fracos, portanto, o segundo trimestre será também de um número acanhado. A boa notícia é que nos meses seguintes a economia deve aquecer, mas para fechar o ano abaixo de 3%. Um dos problemas é a demanda mundial mais fraca por commodities.
— No 1º tri, a contribuição do comércio exterior foi negativa e continuará assim em todo o ano de 2012 — disse José Augusto de Castro, da AEB.
Ontem, bancos e consultores voltaram para seus modelos para reduzir a previsão de crescimento do ano. A Rosenberg Associados revisou de 2,7% para 2,3%. De acordo com Rafael Bistafa, a estratégia do governo de estimular o crescimento via demanda deve encontrar um obstáculo difícil: o nível de endividamento das famílias. O crescimento deveria ser puxado pelos investimentos do governo, mas eles caíram, como divulgou a Receita. O investimento privado está fraco porque ainda há capacidade ociosa na indústria. A RC Consultores revisou de 2,5% para 2,3% a projeção para o PIB.
Sérgio Vale, da MB Associados, acha que é “praticamente impossível” o país crescer mais do que 2,5%:
— Não depende de pacotes do governo, que são irrelevantes, mas de uma melhora do cenário internacional, que não virá neste momento.
Luis Otávio Leal, do ABC Brasil, acha difícil crescer mais do que 2,7%. O Bank of America disse que vai rever para baixo a previsão de 2,8%. O HSBC previa 3,2%, mas vai reduzir. O Itaú, que estava com uma previsão otimista para este primeiro trimestre, de 0,6% de crescimento — em vez do 0,2% que de fato ocorreu —, também vai rever sua projeção, hoje em 3,1%.
O Brasil cresceu menos do que o previsto porque o mundo está em crise? De certa forma. O primeiro trimestre foi mais tranquilo, tudo piorou em maio após as eleições gregas. Alguns países centrais, deste mundo que nos causa problemas, cresceram mais do que nós, como a Alemanha, 0,5%; Estados Unidos, 0,5%; Japão, 1%. Isso sem falar na Coreia do Sul, com 0,9%; México, 1,3%; e Chile, 1,4%. Esse vai ser um ano de baixo crescimento, mas pode melhorar no segundo semestre.

Assinar:
Comentários (Atom)