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sábado, 31 de março de 2012

Na Meta este Ano

Míriam Leitão


A inflação ficará na meta este ano em qualquer cenário. Se os juros não caírem, o IPCA fica em 4,4%. Se caírem, fica no centro da meta: 4,5%. Essa é a aposta do Banco Central. Uma parte disso se confirma porque está havendo uma queda dos preços das commodities no mundo. Mas se o petróleo continuar subindo, e o dólar também, vai ficar mais difícil para a Petrobras não elevar o preço da gasolina. E se o combustível subir esse quadro se altera.

O Banco Central está moderadamente otimista em relação ao país: na sua visão, o nível de atividade melhora ao longo do ano e o Brasil crescerá 3,5% em 2012, mas com uma taxa de inflação na meta, o que torna esse ritmo mais sustentável. Mas o BC aumentou em 0,5 ponto sua previsão de inflação para 2013, de 4,7% para 5,2%, e isso significa que a pequena melhoria no ritmo de crescimento da economia já vai deixar a taxa mais distante do centro da meta.

De qualquer maneira, o quadro está bem melhor agora do que estava no ano passado, neste mesmo momento, em que a taxa de inflação ameaçava ficar acima do teto da meta. E, de fato, a ameaça se concretizou. Durante meses o IPCA ficou acima do limite e chegou a 7,31% em setembro. Mas o quadro agora é de “desinflação global”, segundo o Banco Central, e a inflação acumulada em 12 meses já recuou para 5,85% em fevereiro.

Os preços das commodities, em qualquer índice internacional, estão em queda. Tanto os alimentos medidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), quanto pelo CRB (Commodity Ressearch Bureau), um índice que mede também outras commodities que não apenas alimentos, mostram isso. De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central, o índice CRB acumulado em 12 meses saiu de 30,4% de alta, em abril de 2011, para uma retração de 11%, em fevereiro de 2012. Ou seja, passou a ter viés deflacionário. A mesma coisa aconteceu com o índice da FAO, que foi de 38,1% para -9,5%.

Inflação menor é excelente notícia, mas, por outro lado, esses alimentos e matérias-primas com preços menores podem significar menos receita de exportação para o Brasil, altamente dependente de commodities no seu comércio exterior. Mesmo assim, a balança comercial está na verdade melhor do que estava há um ano. O saldo em 12 meses até fevereiro foi de US$ 28,6 bilhões; no ano passado, em abril, era de US$ 21,6 bilhões.

O Banco Central avalia que a economia mundial continuará com baixo crescimento, a crise da Zona do Euro está longe do fim, a economia americana começa a se recuperar, mas o preço do petróleo está instável. Se o petróleo continuar com preço alto, a recuperação dos EUA, que é a melhor notícia no cenário internacional, correrá risco. No ano passado, a alta da gasolina afetou o consumo dos americanos e anulou o início da recuperação.

Além disso, a alta do combustível tem impacto inflacionário independentemente do contexto recessivo em tantos países. É por isso que o primeiro-ministro francês, François Fillon, está tentando mobilizar os países a usarem suas reservas de petróleo para derrubar o preço, que ontem estava em US$ 123 o barril do tipo brent. Mantido esse patamar por mais algum tempo, ficará mais difícil para o governo e para a Petrobras segurarem os preços da gasolina congelados.

O preço do petróleo está volátil por temor de crise nos países produtores. Por isso, a única forma de baixá-lo é o aumento da produção pela Arábia Saudita. A venda das reservas de petróleo dos países pode ajudar por um tempo, mas o mercado precisa de certeza de fornecimento estável.

O mercado tem uma visão de inflação diferente da que o BC mostrou ontem no Relatório Trimestral. A pesquisa Focus feita pelo Banco Central junto às instituições financeiras e consultorias mostrou na última segunda-feira que a previsão para 2012 é de 5,28%, acima, portanto, da prevista pelo governo. Mercado e Banco Central concordam que no ano que vem a inflação vai subir em relação a 2012. Segundo o Boletim Focus, ficará em 5,5%, já distante do centro da meta.

O cenário do Banco Central depende de que os preços internacionais de inúmeros produtos continuem caindo e que o preço do petróleo se estabilize e não haja qualquer novo susto nas economias em crise da Europa. Aqui, o governo está incentivando o consumo através de reduções fiscais e ampliação do crédito para sair do quadro de baixo crescimento. Para evitar que isso produza inflação, o Banco Central tem que estar atento a todos os riscos no cenário. Do contrário, repete-se o mesmo enredo: os juros caem, a inflação sobe, e os juros precisam subir novamente. O mais importante seria ter juros mais baixos de forma permanente.

O risco do ano passado conseguiu ser superado e este ano a inflação está mais baixa, mas ainda não há garantia de que a taxa está mesmo convergindo para a meta em 12 meses como afirma o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Avaliação Trimestral - Ásia

Um quarto do ano já se passou, e nesse momento se faz necessária uma breve análise de tudo que aconteceu, de bom e de ruim, onde se pode melhorar, como se proteger contra futuros incidentes, as previsões para a inflação, ou para a taxa de crescimento, questões cambiais, industriais, nível de desemprego e etc, etc etc, a lista não termina tão cedo...

É bem verdade que esse tipo de reflexão não se aplica apenas ao mercado financeiro, mas para não perder o foco, vamos nos prender apenas à esse tema:


Bolsas asiáticas fecham trimestre em alta, com foco na Europa. Índice asiático caminha para acumular ganho trimestral de quase12%. As ações asiáticas firmaram-se e fecharam o melhor primeiro trimestre em mais de 20 anos nesta sexta-feira (30), regressando para um novo ano de rali antes de uma reunião que pode impulsionar os recursos para resgate na zona do euro.
"A Europa é o maior fator de risco no segundo trimestre, com as eleições na Grécia e na França potencialmente alimentando dúvidas sobre os compromissos com reformas fiscais, caso aqueles que se opõem às medidas de austeridade vençam", disse o economista do Mizuho Corporate Bank em Tóquio, Daisuke Karakama.
Os ministros das Finanças da zona do euro, que se reunirão em Copenhague nesta sexta-feira, devem concordar em quase dobrar os recursos financeiros temporariamente, em uma ação que deve ajudar Itália e Espanha, embora a Alemanha defenda um aumento menor.

O trimestre só não foi melhor por questões como a crise europeia e pressões políticas sob o Irã, influenciando o petróleo, mas de algum modo, parece que o mercado já equacionou essas "anormalidades" numa curva ascendente, onde caio 2, 3, para subir 7, 8 no geral.

A Ásia precisa firmar um mercado mais sustentável, menos dependente das exportações, alguns países como o Japão por exemplo, são escravos da PTAX. Entretanto, para que tais cenários ocorram, é necessário drásticas mudanças de cultura e de gestão, que vão desde governos imperialistas e ditatoriais até o "free float" da moeda.

Eles precisam entender que nós precisamos deles, não o contrário!

Agenda do Investidor para esta sexta-feira

No mercado nacional a FGV divulga a Sondagem da Indústria que fornece indicações sobre o estado geral da economia nacional e suas tendências. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o IPP (Índice de Preços ao Produtor) que mede a evolução dos preços de produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria brasileira de transformação. Nos EUA o Departamento do Comércio divulga a Renda e Gastos Pessoais. A Universidade de Michigan/Reuters apresenta a preliminar da Confiança do Consumidor, índice que revela a confiança e expectativa do consumidor em relação à economia em geral.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A fila anda

Míriam Leitão


A Espanha trouxe novamente desconfiança à Europa ao anunciar que não cumprirá este ano a redução do déficit que havia prometido. Será 5,3% no vermelho, ao invés de 4,4%. A economia da Espanha é três vezes maior do que Irlanda e Portugal juntas, com um PIB de 1 trilhão. Não há dinheiro para socorrer os espanhóis, em caso de problemas. O fundo europeu dispõe de meio trilhão de euros e têm dois fregueses na fila que chegaram primeiro.
Mas alguém tinha dúvidas de que a Espanha não cumpriria a redução? Portugal, Irlanda, Grécia e Itália conseguirão realizar os ajustes necessários também? Muitos dizem que a situação só não está pior porque a Grécia não deu o calote, mas reduziram em 70% sua dívida, assim fica até eu!

Depois do calote grego, Portugal e Irlanda são os candidatos a receber ajuda. Ambos já foram socorridos, estão fora do mercado, mas ainda carregam déficits públicos elevados. O governo irlandês fechou 2010 com um rombo de 30% do PIB. Reduziu para 10% em 2011, mas ainda ficará no vermelho em 8,5% este ano. Tem a seu favor o currículo de já ter feito um forte ajuste nos anos 90 e sua economia tem perspectivas de crescimento. Para Portugal, a situação é mais crítica porque, além do déficit alto, tem um buraco nas transações correntes e o país está há quatro trimestres em recessão.
Não vamos esquecer as emissões de títulos à yields elevadíssimas que Portugal andou fazendo também.

— O desafio em ambos é muito grande: colocar as contas em ordem, de forma crível, e voltar a mercado no final de 2012. Portugal tem que fazer um ajuste maior, mas nos dois casos os programas são muito ambiciosos. O que vamos ver daqui a pouco é que o ajuste prometido é tão severo que os países não vão conseguir crescer. Por isso, houve esse anúncio do governo espanhol — explicou o economista-chefe do MSafra, Marcelo Fonseca.

Entre portugueses e irlandeses, há uma forte distinção: o mercado cobra 13,5% de juros para rolar a dívida do governo de Portugal e 5% da Irlanda. Os irlandeses têm a seu favor um passado de ajuste e se comprometeram a cortar gastos antes de receberem ajuda. Os portugueses passaram o período de bonança com déficits altos e usaram artifícios para melhorar as contas públicas recentes.

A chanceler alemã Angela Merkel admitiu esta semana que a Europa poderá manter em funcionamento os dois fundos de socorro, que juntos terão poder de fogo de cerca de 700 bilhões. Os líderes sabem que o calote ordenado grego não quer dizer que os problemas da Zona do Euro foram resolvidos. O governo português recebeu 78 bilhões em ajuda para ficar fora do mercado até o final do ano que vem. Mas isso significa que o país terá que voltar a ganhar confiança para ser financiado pelos bancos privados com juros mais baixos. O problema é que ninguém acredita ser possível reduzir essa taxa, dos atuais 13,5%, para padrões normais, em torno de 3%. Então só há duas saídas para Portugal, receber mais dinheiro ou dar um calote como fez a Grécia.

Outra diferença entre Portugal e Irlanda é o saldo em transações correntes, que mostra o fluxo de entrada e saída de moeda nos países. A Irlanda voltou a ter superávit em 2010, de 0,4%, e estima-se que tenha fechado 2011 no azul em 1,7%. Isso quer dizer que há mais euros entrando do que saindo do país, pelas mais diversas portas: balança comercial, remessa de lucros, captações de empresas e governo, gastos de turistas. Em 2011, por exemplo, as exportações irlandesas cresceram 3,4%. Já Portugal teve um rombo em conta corrente de 12% em 2008, que diminuiu para 9,8% em 2010, e ficará em 8,6% em 2011.

— O saldo em transações correntes reflete o grau de competitividade dos países. Tanto Irlanda quanto Portugal fazem parte da Zona do Euro e por isso não podem desvalorizar suas moedas para ganhar impulso via exportação. Se os irlandeses estão com superávit nas transações correntes é porque fizeram um ajuste muito forte, com corte de gastos do governo. Já os portugueses continuaram com o déficit no mesmo patamar — explicou a economista Monica de Bolle, da Galanto Consultoria.

Irlandeses e portugueses estão em recessão. Portugal acumula quatro trimestres seguidos de retração no PIB. Os irlandeses, dois, mas conseguiram terminar 2011 com alta de 0,7%, enquanto a economia portuguesa caiu 1,6%. O BC português estima queda de 3,3% este ano. O FMI prevê crescimento de 1,2% para a Irlanda.

Os dois também sofrem com o desemprego. A taxa chegou a 14,8% em janeiro, em ambos. O desemprego de jovens irlandeses, com menos de 25 anos, foi a 29,5%; entre os portugueses, subiu a 35,1%. Para se ter uma ideia, a média de desemprego de jovens na Zona do Euro é 21,6%. Na Alemanha, 7,8%. O número de casais portugueses em que ambos os cônjuges estão desempregados subiu 70% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2011.

Isso tudo está causando outro problema em Portugal, a emigração de jovens. O país está perdendo o talento de sua juventude, que tenta a vida em outros países diante da incapacidade de ingressar no mercado de trabalho. O número de emigrações chegou a 150 mil em 2011, admitiu o governo, para uma população de 10 milhões de pessoas. É o maior número de emigrantes desde o pico dos anos 60 e 70.

Uma boa notícia para a Europa, segundo Marcelo Fonseca e Monica de Bolle, foi o que houve com o CDS (credit default swap) grego. O CDS é um seguro que protege o comprador de dívida dos governos, em caso de calote. Havia um temor de que ele não fosse respeitado e o risco de que se fosse pago poderia quebrar as seguradoras. Eles foram respeitados e não houve quebra das instituições que venderam o seguro. Isso deu mais segurança ao mercado de dívida pública.

Agenda do Investidor para esta quinta-feira

A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IGP-M, índice de inflação calculado todo o mês e comumente utilizado para a correção de contratos de aluguel e tarifas de energia elétrica. Nos EUA o Departamento do Trabalho divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal. O Departamento do Comércio divulga o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2011.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Resumo

O Dólar não me decepcionou e fechou o dia em alta de 0,56%. Se bem que a Ásia e a Europa já haviam dado o tom ao encerrarem em queda. Alguns dados da economia norte-americana continuam frustrando os investidores e dão ainda mais gás à ativos de segurança (os dados não estão negativos, apenas aquém do esperado). Como nossa bolsa anda muito em linha principalmente com a Ásia, não foi difícil de prever o fechamento, recuo de 1,45%, aos 65.079 pontos. China e EUA ditam o ritmo por aqui.

Algumas correções podem ocorrer amanhã, outro dia igual a esse é improvável de acontecer, o mais "natural" será um mercado mais lateral.

Agenda do Investidor para esta quarta-feira

Agenda concentrada em indicadores do mercado norte-americano. Nos EUA os Pedidos de Bens Duráveis serão divulgados pelo Departamento do Comércio, indicando o nível de atividade da indústria norte-americana. O Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo.

Bernanke na frente

Por enquanto estou acertando, a esperança de mais estímulos do Fed segue animando mercados. Índice MSCI caiu 0,3%, depois de subir mais de 1% na véspera.


Algumas pausas e correções são naturais à essa altura do campeonato, houve muita valorização nos últimos meses e é natural que os mercados andem um pouco de lado. O Ibovespa por exemplo, desde o começo do ano já subiu 14%, o Dow Jones 8% e o Dólar desvalorizou 2,77%. Nos atuais estados, o "andar de lado" não significa não saber aonde ir, é simplesmente um descanso, um respiro, ou até mesmo um tomar de fôlego para aguentar o que vem pela frente.

terça-feira, 27 de março de 2012

Bernanke ou Dudley?

Ben Bernanke, diz que ainda é muito cedo e tudo é possível, se referindo a uma possível nova rodada de quantitative easing, lembremos que boa parte dos ganhos asiáticos hoje se deveram à esses rumores, a enxurrada de dólares na economia norte-americana vai terminar em boa parte dos produtos chineses e japoneses, entretanto, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley disse nesta terça-feira que a Europa parece estar combatendo sua crise de dívida e disse que o banco central dos Estados Unidos provavelmente não precisará tomar medidas adicionais para afastar potenciais repercussões perigosas.

Para amanhã quem leva a melhor? Acredito no Bernanke e no Dólar. Será mais um dia sem intervenção do Banco Central.

IOF?

A expectativa de medidas para elevar a cotação do Dólar fazem com que a moeda norte-americana feche o dia em alta.
Ás vezes os rumores tem tanta eficácia quanto as ações


Após a notícia de que o governo estaria avaliando elevar a alíquota do IOF sobre todas as transações que envolvam a conversão da moeda, o dólar encerrou com alta de 0,08% ante o real, cotada a R$ 1,8177 na venda.

Foi uma caça às bruxas, quem não tem dólar é louco!

Essa medida, se concretizada, elevaria ainda mais a moeda norte-americana, entretanto, ela já está chegando no teto da banda cambial aceitável pelo nosso Banco Central, uma vez que a meta era 1,7170, os investidores precisam ficar atentos, senão vai ter gente morrendo com dólar na mão!

Nova rodada será?

Bolsas asiáticas sobem com esperanças de mais estímulo do Fed
Será?


As bolsas de valores da Ásia se recuperaram nesta terça-feira (27), com o índice japonês Nikkei atingindo o maior nível em um ano após o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, dizer na véspera que o afrouxamento de políticas monetárias ainda é necessário para reduzir o desemprego nos Estados Unidos.

No quantitative easing todo mundo sai ganhando, é verdade que a inflação vai parar no céu, mas antes no céu do que no inferno, certo!


Enquanto isso na Europa nem Fed nem cheira ...

Mais um dia de queda, com exceção da Alemanha, que parece muitas vezes tentar levar o piano sozinha. Nem mesmo o Fed conseguiu animar os mercados, que parecem um pouco perdidos diante de tantas calamidades financeiras.

Agenda do Investidor para esta terça-feira

Hoje a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulga o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), índice que mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo com base nos gastos de quem ganha de um a vinte salários mínimos. O Banco Central publica a Nota de Política Monetária com os dados sobre a evolução dos agregados monetários (papel moeda, depósitos, câmbio entre outros) e operações de crédito do sistema financeiro. Nos EUA a S&P divulga o Índice de Preços de Moradias S&P/Case-Shiller referente ao mercado imobiliário residencial norte-americano. A Conference Board divulga a Confiança do Consumidor, índice que mede, por meio de entrevistas, a situação econômica atual e expectativa para o futuro próximo.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Contágio Geral

A crise parece ter tomando finalmente dimensões globais, todos serão e/ou já estão sendo afetados, não há quem consiga escapar, pois nenhum país tem demanda interna suficiente para fazer girar sua economia. Há muita dependência de importação/exportação, seja de produtos ou serviços, a guerra cambial diária deixa isso ainda mais em evidência. A recessão que se instalou na Europa contamina o mundo inteiro, o medo de investir,

A mais cotada seria a China, suas dimensões geográficas davam esperanças de que sua população conseguiria absorver o excesso de oferta, mas incrivelmente o cerne da questão parece estar vindo de lá. É muita gente com pouco poder de compra, e em tempos de crise, essa disparidade toma proporções gigantescas!

"A capacidade do mercado de subir mais parece estar contida por incertezas que sondam a economia global e os operadores podem ter que enfrentar mercados andando de lado até a próxima temporada de balanços no mês que vem para ter um real catalisador", disse o operador do Capital Spreads em Londres Jonathan Sudaria. 

Agenda do Investidor para esta segunda-feira

No Brasil sai a Sondagem de Expectativas do Consumidor pela Fundação Getulio Vargas, índice que mede através de questionários a famílias as principais capitais do Brasil sobre situação econômica do país e da família, orçamento doméstico, grau de dificuldade de encontrar trabalho e intenções de compras de bens de alto valor. O Banco Central divulga o Relatório Focus e o Ministério do Desenvolvimento apresenta a Balança Comercial da semana. Nos Estados Unidos o Departamento do Comércio publica as Vendas Pendentes de Imóveis.

domingo, 25 de março de 2012

Desafio Americano

Míriam Leitão

Em 10 anos, de 1999 a 2009, os EUA tiveram perdas fortes de participação no mercado global de quase todos os setores industriais: -36% no mercado de veículos aeroespaciais e de defesa; -9% na tecnologia de informação; -8% em equipamento de telecomunicação; -3% no setor automotivo. A economia americana tem problemas de competitividade. O que dá a eles vantagem é o nível do debate.

A “Harvard Business Review” fez uma edição especial sobre o tema, conduzido pelo especialista em competitividade Michael Porter, o mais conhecido autor de livros, estudos e pesquisas sobre o tema. A primeira novidade é o avanço da definição do que é competitividade. Seria, segundo ele, a habilidade de as     empresas competirem com sucesso na economia global, ao mesmo tempo em que criam as condições para  um alto — e crescente — nível de vida para a média da população.

Não basta, portanto, ser capaz de vencer a competição, é preciso também garantir que os trabalhadores ganhem mais. Há um avanço em relação ao conceito dos anos 1990, época em que eram elogiadas as lean and mean: empresas magras e más. Segundo o texto da “Harvard Business Review”, a produtividade de um país não deve ser calculada com base na população empregada, mas na população empregável. O que significa que se os lucros das empresas subirem, mas aumentar o desemprego, ou se as exportações crescerem, mas com base na redução de salário, o país não está elevando sua competitividade de longo prazo.

“Salários baixos nos Estados Unidos não impulsionam a competitividade americana. Nem o dólar barato. Alguns passos que reduzem os custos de curto prazo das empresas podem na verdade trabalhar contra a verdadeira competitividade”, diz o texto de Porter, escrito com Jan Rivkin.

Algumas frases — como essa acima — parecem ter sido escritas para o mundo empresarial brasileiro. Há outra ainda mais eloquente, principalmente neste momento em que pela milionésima vez empresários vão a Brasília pedir ajuda ao governo, em que o cenário político do Congresso é de impasse e os estados esperam que soluções mágicas surjam em Brasília. “Para restaurar sua competitividade, os Estados Unidos precisam de uma estratégia de longo prazo. Isso vai exigir numerosas mudanças políticas por parte do governo, o que parece improvável com o impasse político de Washington. No entanto, muitos passos cruciais podem ser dados pelos estados e regiões onde estão muitos dos fatores-chave de competitividade. Mais importante, os líderes empresariais podem e devem ter um papel muito mais pró-ativo na                           transformação da competição e no investimento nas comunidades locais, em vez de serem vítimas passivas      das políticas públicas ou reféns de acionistas equivocados.”

Por outro lado, explica Porter, criar mais emprego com medidas de proteção a setores que empregam muita mão de obra, sem aumentar a produtividade, também não resolve o problema. Isso não cria as condições de aumento sustentado do nível do emprego nem elevação do nível de vida da população. As medidas de estímulo do governo como as que o Brasil adota frequentemente conseguem apenas ser um alívio temporário, não são aumento de competitividade.

Segundo os especialistas de Harvard, as empresas durante anos reduziram o número de funcionários e transferiram para o exterior parte de sua produção. Como resultado, os salários ficaram estagnados, e a renda das famílias da classe média reduziu-se. Isso foi compensado com a oferta de crédito barato que deu às pessoas a sensação de riqueza. O excesso de oferta de crédito e a renda estagnada estão na raiz da crise de 2008.

Porter critica também o sistema de remuneração dos executivos baseado em participações acionárias. Isso teria levado os administradores a terem interesse apenas em decisões que elevem o lucro trimestral e desestimulou as estratégias empresariais de longo prazo.

Uma pesquisa feita por Harvard ouviu dez mil ex-alunos da escola de negócios da universidade sobre as perspectivas da economia americana: 71% registraram que estão prevendo um declínio da competitividade dos Estados Unidos nos próximos anos. Disseram também que o país perde duas em cada três disputas com outros países pela localização de um investimento.

Michael Porter acha que, na competitividade, não vale o jogo de que um país só ganha se o outro perder. O aumento do nível de vida da Índia pode fazer com que os indianos comprem mais produtos e serviços do Vale do Silício. A prosperidade americana — sustenta a revista — é do interesse dos outros países do mundo, até pela dimensão da economia dos EUA.

A lista do que fazer é parecida com a nossa: reduzir a complexidade tributária, melhorar a educação, aperfeiçoar o ambiente de negócios, investir na infraestrutura de transportes e telecomunicações. Mas no principal quesito os americanos continuam na frente: a inovação. Nesse ponto, a proposta para os Estados Unidos é apenas continuar sendo inovadores. Um especialista chinês Xu Xiaonian admite, numa coluna escrita na mesma edição, que o modelo chinês de copiar e imitar funcionou até agora, mas criou problemas de longo prazo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Agenda do Investidor para esta sexta-feira

A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal). O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga a Pesquisa Mensal do Comércio, com indicadores que permitem acompanhar o comportamento do comércio varejista no país. O Banco Central divulga os números mensais sobre o balanço de pagamentos, reservas internacionais e dívida externa através da Nota de Setor Externo. Nos EUA o Departamento do Comércio divulga o número das Vendas de Imóveis Novos.

Negócio da China

A atividade industrial da China segue no foco dos investidores
A China vive num paradoxo, o que fazer com os estoques de produtos acabados?


A economia chinesa passa por momentos difíceis, sua retração industrial não vem para aumentar os já fatigados problemas econômicos mundiais, pelo contrário, em alguns níveis ela até se torna uma consequência, em parte pela baixa demanda global, potencializada pela crise européia, enquanto que o mercado interno simplesmente não consegue absorver tantos produtos acabados.

Aumentar o poder de compra da população ou não? Eis a questão.

Alguns cenários observados hoje, ainda são reflexos da crise de 2008. A China que crescia 12% ao ano, passou crescer a 7%, entretanto, de modo geográfico, isso demora para surtir efeito. Suas políticas cambiais estão vindo de encontro à possíveis soluções: se eu aumento o poder de compra da população, boa parte dos estoques é queimado, a economia gira um pouco, os dados melhoram, os investidores ficam mais animados, as exportações (EUA) aumentam e eu consigo fechar o excedente, porém o Yuan sai do canal, a inflação vai parar no céu e minhas importações ficariam mais caras, sem contar que eu limitaria o comércio apenas à países de moedas mais fortes, talvez boa parte dos emergentes ficariam de fora... O que fazer?


Nossa memória muitas vezes é curta, entretanto o ciclo de mercado para o bem ou para mal, geralmente é no médio/longo prazo. Por exemplo, as emissões desenfreadas de bônus europeus à yields absurdas, terão drásticas consequências se o bloco não levar a sério medidas de austeridade fiscal, retém a economia, politicamente não é interessante, principalmente para a população, mas ao invés de campanhas publicitárias fantasiosas, que tal dizer a verdade, só para variar um pouco?! As greves observadas não são pelas medidas tomadas, mas pela falta de transparência à real situação do país e aos gastos desenfreados.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Agenda do Investidor para esta quinta-feira

O IBGE divulga o Índice de Preços ao Consumidor Amplo IPCA-15 e IPCA Especial (série trimestral do IPCA-15). O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também divulga a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), conjunto de dados sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazos, do mercado de trabalho. O Banco Central publica a Nota de Mercado Aberto com as informações sobre as operações com títulos públicos federais. Nos EUA o Departamento do Trabalho divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal. A Conference Board divulga o Índice dos Principais Indicadores, que busca traçar o rumo da economia norte-americana para os próximos seis meses.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Resumo do Dia

Mais um dia complicado, dados locais não tem ajudado e começam a ofuscar até mesmo o otimismo gerado pela economia norte-americana. Na Ásia por exemplo, as bolsas recuaram diante da possível desaceleração na China, alguns consideraram o recuo como um ajuste a uma tendência de alta iniciada em outubro, bem, é verdade que esses "ajustes" existem, mas nesse caso é um pouco mais que isso, o temor é mais real do que parece.

Na Europa,  as fracas vendas de moradia usadas nos EUA (dado divulgado ontem), ditaram o ritmo das principais bolsas hoje. Se bem que no caso da Europa, ela mesma é a maior culpada.

Por aqui, a queda do Ibovespa teve alguns culpados, como CSN, Usiminas e Gerdau. Petrobrás e papéis do setor bancário também tiveram desempenho ruim. Claro que as fracas vendas de moradias dos EUA ainda fez viúvas hoje, deverá continuar assim por algum tempo. Não preciso nem dizer o que aconteceu com o Dólar, BC pôde até tirar um day off.

Wall Street fecha sem direção, decepcionada com índice nos EUA. "O momento está ruim, mas olhando como um todo, há muita esperança para a economia norte-americana".

Agenda do investidor para esta quarta-feira

Agenda concentrada em indicadores do mercado norte-americano hoje. Nos EUA o Departamento do Comércio divulga as Vendas de Imóveis Usados. O Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo.

terça-feira, 20 de março de 2012

Evolução do Dólar

Gráfico acima mostra a evolução do Dólar x Real na última semana em relação ao Ibovespa e ao próprio Dow Jones. Pelo desempenho dos índices, o comportamento mais normal seria a moeda norte-americana andar de lado; esse breve histórico é um sinal claro da intervenção do Banco Central, queimando suas reservas para comprar Dólar e/ou mudando a torta e a direita as regras de IOF.

Agenda ditando o ritmo

A tendência era altista, era:

Os ganhos de ontem foram bastante sólidos, não haveria motivos para recuos acentuados hoje, entretanto, balanços corporativos pressionaram as bolsas na Ásia, e mesmo assim o euro permaneceu no maior nível em uma semana, sinal da redução dos temores quanto a "maiores" danos ao sistema financeiro decorrentes da crise de dívida grega. Embora minha preocupação seja com Portugal agora, a economia de Portugal tem previsão de queda de 3,3 por cento este ano, depois de recuar 1,6 por cento em 2011, e a taxa de desemprego no país está acima de 14 por cento. Sem contar suas yields elevadíssimas de médio e curto prazo.

Havia muita expectativa em relação aos dados de novas construções de moradias nos EUA, seria uma efetiva sinalização de recuperação estável da maior economia do planeta. Bem, nossa bolsa está refletindo exatamente isso, pois o índice de construção de moradias recuou. Obviamente o Dólar também está refletindo o momento "tenso" dos mercados internacionais e se nada mais mudar, deve fechar o dia em alta.


Quem sabe nossas blue chips consigam minimizar as perdas!

Agenda do Investidor para esta terça-feira

Agenda concentrada em indicadores do mercado imobiliário norte-americano. Nos Estados Unidos o Departamento do Comércio divulga os indicadores sobre o mercado imobiliário, Alvarás para Construção e Construções Iniciadas de Imóveis, que ajudam a medir o nível de atividade econômica dos EUA.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Bons indicadores

Embora o dia não tenha tido indicadores externos importantes, as bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, ainda movidas pela recuperação dos EUA, acreditando em parte, que possa influenciar positivamente a China. O Nikkei do Japão também é ajudado com a melhora norte-americana, já que sua economia depende basicamente das exportações.

Por aqui houve muita volatilidade, o exercício de opções costuma marcar bons ralis nas operações. O Ibovespa subiu 0,07%, indo a 67.730 pontos. A PTAX parece ter encontrado um bom piso na casa de 1,80, a tendência hoje seria de queda do Dólar, entretanto a moeda norte-americana registrou alta de 0,40%, a 1,81,07 real na venda, mesmo sem intervenções do BC.
O economista BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, avalia que, além da disposição do governo em manter a moeda no patamar de 1,80 real, o volume fraco nesta segunda-feira ajudou a evitar movimentos mais bruscos. Concordo, as atenções ficaram voltadas ao exercício de opções.


 Nos EUA a maré continua, dessa vez o impulso positivo veio após a Apple dizer que pagará um dividendo anual de US$ 10 bilhões e que fará uma recompra de ações.


Previsão de alta amanhã, para tudo!

Fechamentos do Dia


Saldão de Verão

Investidores vendem títulos da zona do euro em janeiro


FRANKFURT, 19 Mar (Reuters) - A zona do euro registrou saída de investimentos no ritmo mais rápido em três anos no mês de janeiro, com investidores de fora do bloco monetário vendendo dívida emitida na região, mostraram dados do Banco Central Europeu divulgados nesta segunda-feira.

Os investimentos em carteira na zona do euro caíram 46,9 bilhões de euros, a maior queda mensal desde janeiro de 2009, com títulos e notas, em especial, perdendo a preferência do investidor. Não é a toa que as yields estão tão altas nas emissões, ninguém quer comprar papel de país "falido".

"Os fluxos líquidos de saída para os instrumentos de dívida resultaram principalmente de vendas líquidas de títulos da zona do euro por não residentes, e de aquisições líquidas de títulos estrangeiros e notas por residentes na zona do euro", acrescentou. Resumindo, estrangeiros vendem títulos europeus e compram títulos estrangeiros e europeus vendem títulos europeus e compram títulos estrangeiros, de qualquer modo, ninguém compra Europa.


Aguardemos as próximas emissões, quais serão as yields?

Banho de água fria

Para o mês que vem, a mediana das previsões dos analistas para a taxa Selic caiu de 9,50% para 9%. A taxa vem numa decrescente, entretanto, daí não passa. É esperada a estabilização da taxa até o fim do ano, com provável aumento em 2013.

Bem, me parece que o Banco Central deverá continuar usando seu arsenal de uma arma para conter a desvalorização do Dólar.

Agenda do Investidor para essa segunda-feira

Hoje a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulga o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), índice que mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo com base nos gastos de quem ganha de um a vinte salários mínimos. A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IGP-M, índice de inflação calculado todo o mês e comumente utilizado para a correção de contratos de aluguel e tarifas de energia elétrica. O Banco Central divulga o Relatório Focus e o Ministério do Desenvolvimento apresenta a Balança Comercial da semana. Hoje vencem as opções sobre ações na Bovespa. Somente posições tomadas ou abertas poderão ser negociadas nesta série. Novas posições não poderão ser abertas, sob pena de multa.

sábado, 17 de março de 2012

Os dois e nós

Míriam Leitão 


Os dois principais motores da economia mundial estão dando sinais contraditórios. A China continua sendo a economia mais acelerada do mundo, mas o Banco Mundial alertou recentemente que o modelo de crescimento chinês é insustentável e o governo revisou a previsão de alta do PIB para 7,5%. Os Estados Unidos estão com uma recuperação mais sólida, mas o clima ainda é de cautela porque a cada número bom corresponde uma ressalva.

Pela primeira vez em oito anos a meta de crescimento chinês foi revista para baixo. Depois de surfar no longo período de expansão mundial dos anos 2000, das bolhas nas economias americana e europeia, os chineses resistiram no começo, mas já estão sentindo a crise. Nos Estados Unidos, o ânimo gangorra a cada número. O desemprego caiu, mas o inverno este ano foi menos rigoroso. Isso ajuda a criar empregos, mas não significa melhora nos fundamentos. Foi o terceiro mês seguido de mais criação de vagas do que se esperava. Em fevereiro, foram 227 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 8,3%. O preço da gasolina subiu, e isso sempre tem impacto na renda disponível das famílias, como se viu no ano passado.

— Há sinais mais sólidos de recuperação, mas nada espetacular. O mercado de trabalho, a indústria, a confiança dos consumidores tiveram melhoras. As bolsas subiram fortemente e alguns setores estão em recuperação, como o varejo, mas o setor financeiro ainda sente o impacto da crise europeia — diz o economista Raphael Martello, da Tendências Consultoria.

O índice Dow Jones atingiu na terça-feira o valor mais alto desde 2007. O S&P chegou ao nível de 2008, e o Nasdaq superou os 3 mil pontos pela primeira vez em mais de uma década.

Os economistas projetam alta no PIB chinês entre 7% e 9% nos próximos anos. De 2003 a 2007 ficou entre 10% e 13%. A mudança de marcha coloca os chineses mais próximos do ritmo indiano. Isso terá reflexo nos preços de vários ativos da economia mundial, como as commodities que o Brasil exporta. A queda das commodities já afetou o preço das ações das empresas brasileiras exportadoras, mesmo num ano de alta nas bolsas.

— A recuperação da cotação das commodities em 2012 está sendo interrompida, e em alguns produtos até mesmo sendo anulada pela redução da meta chinesa — disse o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

O aviso de que a China crescerá menos mostra que ela foi afetada pela economia mundial, acredita o economista Paulo Bittencourt, da Apogeo Investimentos. A China projeta alta de 10% nas exportações este ano, abaixo dos 23% de 2011. Em fevereiro, o governo divulgou que houve o maior déficit comercial mensal no país desde 1989: US$ 31 bilhões.

— Tudo funcionou muito bem enquanto o mundo estava bem. Mas o governo chinês entendeu que a economia mundial ficará um bom tempo crescendo pouco e que depender de exportações é um imenso risco. O Brasil exportou menos carne para a Europa em 2011. Imagine o que está acontecendo com os produtos manufaturados chineses — disse Bittencourt.

A China, como se sabe, quer depender mais do mercado interno, mas a transição não é rápida. O consumo das famílias chinesas corresponde a apenas 33% do PIB, muito abaixo do de outras economias. No Brasil e nos EUA, a taxa fica em torno de 66%.

— Para que a China cresça via consumo interno é preciso aumentar o poder de compra da população. Mas há uma preocupação sobre os efeitos dos aumentos de salário na competitividade da indústria. Se o yuan for valorizado fortemente, os exportadores perderiam duas vezes, via custo de trabalho e câmbio menos favorável — disse Rodrigo Maciel, da Strategus consultoria.

Os estímulos que o governo chinês deu à economia em 2009, logo após a quebra do Lehman Brothers, não devem se repetir agora. Eles aumentaram os gastos públicos e a concessão de crédito, o que alimentou bolhas e elevou a inflação.

Os investimentos em infraestrutura serão um pouco menos intensos neste novo modelo de crescimento chinês. O governo já espera uma redução no ritmo de criação da empregos nas cidades, de 12,2 milhões, em 2011, para 9 milhões em 2012, o que significa menos migrantes do que se esperava e um crescimento menor da pressão sobre a infraestrutura urbana.

Esse é um risco para o Brasil porque afeta o consumo de minério de ferro. As negociações de preço são trimestrais e serão um bom indicador sobre os efeitos que haverá sobre nós — disse Bittencourt.

O Brasil tem um déficit em conta corrente de US$ 60 bilhões e uma reversão nos preços das commodities pode diminuir nosso saldo comercial e agravar ainda mais o buraco nas nossas contas externas.

Nos últimos anos, o Brasil saiu de um superávit para déficit comercial com os Estados Unidos, porque a crise reduziu as exportações. Neste momento, é hora de fazer esforço para ocupar de novo espaço na economia chinesa e ficar atento à desaceleração que pode nos afetar. Não há o que fazer, esses dois puxam o mundo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A luta do câmbio

Míriam Leitão

O dólar continuará fraco aqui e em vários países emergentes, por razões estruturais. Os empréstimos e investimentos externos vão continuar entrando, felizmente, porque o Brasil teve no ano passado um déficit em transações correntes de US$ 60 bilhões. O governo deve mesmo adotar as medidas que tem adotado, como a elevação do IOF, mas elas não resolvem nem de longe o problema que se tenta resolver.

O ministro Guido Mantega admitiu ontem que o câmbio é “administrado” e não exatamente flutuante. Segundo ele, “o principal instrumento de defesa do país é a administração do câmbio”. Há muito tempo no mercado financeiro a ideia é que o governo parece operar com uma banda informal. Compra reservas e toma medidas, como a elevação do IOF, quando o dólar se aproxima de R$ 1,60, e vende quando se aproxima de R$ 1,90.

A acumulação de reservas é caríssima. O Banco Central compra uma moeda que perde valor e aplica a juros perto do zero. Na outra ponta, o Tesouro se endivida a juros de 9,75%. Péssimo negócio se fosse uma pessoa ou empresa; mas é medida de prudência que já provou seu valor em outros momentos de extrema instabilidade e incerteza.

O ministro alega ter um arsenal, mas só saca da mesma arma: IOF. Em março e abril do ano passado elevou para um ano e depois para dois anos o prazo para que um empréstimo ou captação no exterior não pagasse imposto. Agora, no dia primeiro e no dia 12 deste mês o IOF foi elevado de novo, para três e para cinco anos.

O que pode ocorrer com as ameaças, e essas medidas tomadas em série, é o importador se convencer a trazer logo o produto, e o exportador adiar o fechamento do contrato de câmbio. Com isso o país exporta menos e importa mais; o oposto do que o governo quer com as medidas.

— O ideal seria ganhar tempo com essas medidas para implementar as reformas que reduzam o custo Brasil. Hoje (ontem) o dólar voltou a cair, o que significa que o tempo já está correndo. As medidas são boas mas têm efeito colateral ruim. Ao fechar a porta, barra-se o especulador, mas também o não especulador.

Quando o dólar se valoriza — e o real se desvaloriza — isso serve como um amortecedor para esses problemas. O custo de produzir no Brasil é alto. A logística é difícil e cara, é enorme a complexidade burocrática de se pagar impostos, entre outros problemas. Mas quando o dólar sobe, o exportador recebe mais pelo produto e sente menos o efeito dessa perda de competitividade. Quando o dólar cai, a indústria sente de forma mais pesada o custo Brasil.

— Limitar a entrada de importados com aumentos de impostos ou desvalorização do câmbio não vai resolver os problemas que são estruturais da indústria. Num primeiro momento, ela terá um alívio. Será temporário. As restrições às importações e o real mais fraco vão aumentar a inflação, prejudicando a indústria de outro jeito. Essas medidas só têm efeito no curtíssimo prazo — disse José Márcio Camargo.

O déficit em conta corrente deve crescer este ano. O Focus está prevendo US$ 70 bilhões. Mas com tanta liquidez no mundo, com um nível de reservas alto, com tanto interesse no Brasil não há dificuldade de financiar esse déficit. Como percentual do PIB ainda está em torno de 2,5%. Mesmo assim, se o déficit aumentar muito, isso acaba sendo um limitador ao crescimento. O país tem crescido acelerando o consumo, mas não o investimento. O país poupa pouco, e por isso precisa da poupança externa para continuar crescendo.

O governo está na estranha situação de tentar barrar o capital do qual precisa, pela falta de poupança interna, e de lamentar a queda do dólar que o ajuda no combate à inflação. Não é apenas a moeda do Brasil que se valoriza.

— Todos os emergentes sofrem o mesmo problema. Coreia do Sul, México, Chile, Canadá, Austrália, Turquia, África do Sul, Tailândia. Alguns deixam valorizar, outros tentam evitar. Os que tentam evitar acabam tendo inflação mais alta, como a Turquia — disse Camargo.

O dólar sobe e desce por fatores externos. O volume de dinheiro despejado pelos bancos centrais do Japão, Inglaterra, BCE e Fed é tão alto que é difícil criar barreira. Quando há o temor de que a crise internacional se agrave os capitais fogem para títulos do Tesouro americano e o dólar sobe. Isso aconteceu no fim do ano passado. Quando há calmaria, os capitais saem atrás de boa rentabilidade. Aí o dólar cai no mundo inteiro.

Essas medidas não têm muito fôlego. Hoje, administrar o câmbio é muito difícil. Seria bom se a atual equipe econômica não adotasse apenas medidas emergenciais e pensasse no que se pode fazer no médio e longo prazos.

Agenda do Investidor para essa sexta-feira

No Brasil a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal). Nos EUA o Departamento do Trabalho divulga Índice de Preços ao Consumidor. Será divulgada a Produção Industrial e a Utilização da Capacidade Instalada, que indicam tendências inflacionárias. A Universidade de Michigan/Reuters apresenta a Confiança do Consumidor, índice que revela a confiança e expectativa do consumidor em relação à economia em geral.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pensamento em Linha

Apesar do BC, dólar fecha em leve queda

Eu disse há alguns postes que não importa o que o BC faça, se medidas macro não forem tomadas como a redução dos juros, ficará praticamente impossível conter a desvalorização da moeda norte-americana diante de um cenário externo mais estável e favorável:

O BC realizou um primeiro leilão de compra de dólar no mercado à vista pouco após as 12h, com taxa de corte de 1,8057 real. A moeda norte-americana, que estava em queda, chegou a subir, mas logo retomou a trajetória de baixa. Às 15h33, a autoridade monetária voltou ao mercado e fez o segundo leilão do dia, definindo como corte a taxa de 1,8046 real.

O Dólar fechou em queda frente ao real nesta quinta-feira, encerrou a 1,8038, recuando 0,18%.

Cada um com cada qual

Dados locais ditaram o ritmo dos mercados hoje


Ásia perde força com receio sobre crescimento chinês. O crescimento de sua economia está fortemente ligado às exportações, com a melhora do cenário externo é bem possível que haja uma recuperação.

Europa fecha em alta, impulsionada pela concessão por parte do FMI de um plano de ajuda à Grécia, sim ela mesma!

Por aqui nosso índice descola de NY e cai 0,74% após ata do Copom. Foi um pouco frustrante para quem esperava que medidas eficazes fossem tomadas afim de prevenir nossa economia da enxurrada de capital especulativo: Copom informou nesta manhã que pretende levar a Selic para patamares "ligeiramente acima dos mínimos históricos" e estabilizá-la neste nível.

As bolsas dos EUA fecham com valorização nesta quinta-feira."Os dados estão nos entusiasmando, mas o ímpeto do mercado também está ajudando", disse Rex Macey, vice-presidente de investimentos no Wilmington Trust em Atlanta, Georgia, que administra cerca de US$ 60 bilhões.

Pra que tanta emissão?

Espanha emite 3 bilhões de euros a juros em baixa

A captação foi ótima apesar dos baixos juros, isso é bom, mostra realmente uma "boa vontade" dos investidores. Entretanto, o revés mostra que eles precisam mais do que nunca de dinheiro, rápido e sem burocracia, simples assim!

Agenda do Investidor para essa quinta-feira

No Brasil o Banco Central publica a Ata da última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) na qual se discute os fatores que influenciaram o corte de 0,75% na taxa básica de juros (Selic) e as perspectivas econômicas para o futuro próximo. Nos EUA o Departamento do Trabalho publica o Índice de Preços ao Produtor e divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Qual a PTAX?



O gráfico acima mostra uma situação forçada, nada natural explica o Dólar a R$ 1,8003. 

Qual o preço justo para o Dólar hoje? O forte desempenho do Ibovespa e do Dow Jones vão na contra mão da atual cotação, que em tese deveria estar, de acordo com a lei de oferta e demanda, na casa dos R$ 1,6900. Fato que corrobora nossa posição é que o fluxo cambial é positivo em US$ 5,108 bi até dia 9, provando que os IED's têm entrado pesado aqui.

Por enquanto a Europa se torna uma "aliada" nossa, sua crise traz valorização ao Dólar e maior equilíbrio ao Real, entretanto, se ela der algum sinal de significativa melhora, bem, nem todo o IOF do mundo ajudará o Banco Central então!

Desde de 02-Jan-12 até 13-Mar-12, o Dólar acumula desvalorização de 3,70%.

EUA

Tudo vai bem quando os EUA vão bem
As bolsas asiáticas subiram nesta quarta-feira, apoiadas em dados econômicos dos Estados Unidos positivos e sinais de melhora das posições de capital em grandes bancos norte-americanos, mas nem tudo são flores na terra do tio Sam, Bernanke diz que recuperação ainda é "frustrantemente lenta"


Até concordo em partes com Bernanke, a recuperação é lenta, mas o que ele queria também?!, o cenário internacional não está ajudando, as importações em todo mundo estão baixas, a demanda interna está em evidência e o excedente de algum modo é empurrado para fora nas melhores taxas cabíveis no momento, é o princípio da guerra cambial.

A austeridade fiscal do velho continente está afetando o mundo inteiro, a própria China que muitos diziam ser imune à essas questões, dada o seu tamanho, vem apresentando retrocesso em algumas áreas. Nesse exato momento, apesar do Brasil estar fazendo a lição de casa, quem está dando luz aos investidores são os EUA.

É um jogo de balança, o que é pesa mais, a Europa em recessão ou a recuperação da economia norte-americana? Por enquanto, já sabemos a resposta. Mas o nosso Banco Central que não se iluda, suas medidas ainda que com um pouco mais de sofisticação, não serão suficientes para segurar o Dólar. Mesmo com toda intervenção, a moeda norte-americana ainda sobe num dia e cai no outro.

Agenda do Investidor para essa quarta-feira

IBGE divulga a Pesquisa Industrial Mensal Emprego e Salário com dados relativos ao comportamento do emprego e dos salários nas atividades industriais, abrangendo todo o Brasil. Nos Estados Unidos serão divulgados os Preços de Importação e Exportação, que tentam antecipar tendências inflacionárias. O Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Agenda do Investidor para essa terça-feira

No Brasil teremos a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), relatório produzido desde a década de 70, com indicadores de curto prazo relativos ao comportamento da indústria extrativa e de transformação. Nos EUA o Departamento do Comércio divulga as Vendas no Varejo, de bens duráveis e não-duráveis. O Departamento do Comércio divulga os Estoques das Empresas (industrial e varejo). Ao final do dia sai a decisão da última reunião do FED (banco central norte-americano) sobre a política monetária do país.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um dia típico ou atípico?

Muita variação hoje, nenhuma tendência definida. A China é verdade, conseguiu refletir um pouco nos mercados, mas ela foi acompanhada de indicadores locais bons e/ou ruins, contribuindo com as quedas ou minimizando as altas.

Por aqui, o acompanhamento veio do IOF para captações externas de prazo maior, aquelas medidas do Banco Central para conter a queda desenfreada do Dólar, infelizmente essas ações elevam ao quadrado qualquer indicador ruim. Bloquear por bloquear capital especulativo tem seu preço, queda do Ibovespa.
Pelo menos o Dólar está subindo, fechou no maior nível em cerca de dois meses, cotado à 1,8050 real na venda.

Na Europa há um misto de esperança com pessimismo, suas bolsas fecharam sem tendência certa.

A Ásia, refém de China e Japão, como de costume fica tensa antes da reunião do Fed que deverá acontecer nesta terça-feira. Ainda não consigo entender como um continente tão grande é tão dependente das exportações.

Fiquemos atentos na agenda de indicadores de amanhã.

Fechamentos do Dia


Euro ou Morte!

10-03-2012 Míriam Leitão

O dia na Europa foi de comemoração e apreensão. 

A Grécia atingiu o nível de adesão necessário para fechar o acordo com os credores privados e acionar a cláusula que força a minoria a concordar com os termos da troca da dívida velha por nova: 96% da dívida será trocada no maior calote da História. A Associação dos Swaps e Derivativos passou a tarde reunida e no final disse que as empresas de seguro terão que pagar certos papéis.

Por muito tempo se buscou o momento que a Grécia atingiu ontem: 75% dos bancos disseram que concordavam em receber metade, ou menos, do valor do que tinham emprestado para a Grécia. Ao chegar nesse nível, uma cláusula dos contratos dos empréstimos é automaticamente acionada, a collective action clause (cláusula de ação coletiva). Isso força o consenso, a minoria tem que concordar com a maioria. Quem ainda hesitava teve que aderir ao acordo que perdoará US$ 130 bilhões de dívida.

O acordo inteiro envolve dívida no valor total de 206 bilhões (US$ 270 bilhões), ou 87% do PIB grego. Isso é só a dívida privada. Tudo nesse caso é exorbitante. Ao todo o país deve uma Grécia e meia.


Os bancos foram empurrados para a mesa de negociação por duas forças: a Alemanha e a realidade. Quando elas se juntam é impossível resistir. A França tentou evitar, mas a presidente da Europa (sim, é isso mesmo que eu quis dizer), Angela Merkel, exigiu dos bancos uma cota de sacrifício. Por isso eles foram negociar com a Grécia. Pode-se ver daí que as expressões “adesão” ou “troca voluntária” usadas pelos negociadores, analistas, imprensa e autoridades não condizem com os fatos.


Na madrugada de ontem os gregos anunciaram que haviam atingido os 75% de adesão para a troca voluntária da velha dívida com valores reduzidos e novos prazos e termos contratuais. O nível de 75% é o ponto a partir do qual os outros têm que aceitar, e rapidamente se chegou aos 96% de adesão, ficando de fora títulos muito específicos.

Os ministros de finanças da Zona do Euro anunciaram um empréstimo de US$ 47 bilhões à Grécia. Com isso, os gregos fazem um pagamento à vista que foi negociado com os bancos. Nada ficará com a Grécia. É para entrar por uma ilha e sair por outra e ir direto para os cofres dos bancos.

Era isso que se buscava em todas essas idas e vindas dos últimos meses: que os bancos aceitassem dar um desconto à Grécia, para que a Europa emprestasse uma parte que retornasse aos bancos. Agora só falta a    Grécia ser capaz de honrar o que resta da sua dívida, cumprir as metas fiscais impostas pela troica (FMI,         Banco Central Europeu e Comissão Europeia). Para isso, ela precisa de crescimento econômico para            aumentar suas receitas. E é exatamente isso que está cada vez mais distante. Ontem mesmo veio o anúncio     de que no último trimestre do ano eles tiveram 7,5% de recessão. A Grécia está em recessão profunda. Na   quinta-feira a taxa de desemprego de dezembro foi anunciada: 21%. País fraco assim não paga dívida             alguma, isso sabemos nós aqui desde os anos 1980.

O momento de tensão começou quando se reuniu a Associação Internacional dos Swaps e Derivativos. Horas depois ela saiu com o veredito: como alguns bancos foram forçados a entrar no acordo, então eles podem exigir o pagamento do seguro que compraram para se proteger exatamente do risco de um calote grego. A dúvida era se a cláusula que força a entrada no acordo era um “evento de crédito”. Se fosse classificado assim pela associação então o seguro teria que ser pago. Foi classificado assim. Quanto será pago e por quais instituições? Não se sabe ainda. Ontem, o número mais falado era US$ 3 bilhões, mas havia previsões de ser muito mais. O mercado na segunda-feira deve abrir com informações mais precisas, ou dúvidas mais agudas sobre o tamanho do custo que terá que ser pago por quem vendeu o chamado CDS (Credit Default Swap), ou mais popularmente o seguro contra o calote grego. A decisão de hoje também abre um precedente para outros acordos que possam vir a ser feitos no futuro. Os CDS terão que ser pagos. Há vários outros países com dificuldades com suas dívidas na Europa. A Grécia tem sido considerada um teste.

Além disso há o risco de que a Grécia não consiga, pelas dificuldades da sua própria economia, pagar os novos papéis que estão sendo emitidos agora para serem trocados pelos velhos títulos. São obrigações de até 32 anos. Se ela ficar no euro por esse tempo todo, se conseguir retomar o crescimento, se receber novos aportes, se cumprir as metas fiscais, a nova dívida será paga. Mas o risco de um novo calote na dívida nova não está descartado. Só que os juros que ela está sendo obrigada a se comprometer a pagar são tão altos que mesmo se ela não pagar tudo terá sido um grande negócio para os credores.

Há dúvidas sobre vários outros países. A Espanha não cumprirá a meta fiscal e precisa de mais dinheiro. Os juros exigidos de Portugal subiram fortemente nos últimos meses provando que o país é visto como o segundo da fila. A comemoração de ontem tem pouco fôlego. Há muitos outros riscos pela frente e muitos desafios para todos os europeus. A crise da Europa continua.

Agora é a Espanha

Espanha prepara corte de gastos em saúde e educação 
O novo governo de centro-direita da Espanha iniciará suas mais sensíveis medidas de austeridade até agora


A proposta clara de redução do déficit faz mais vítimas, dessa vez a saúde e a educação foram atingidas. A "meta" imposta de reduzir 30 bilhões de euros não será fácil e com certeza terá duras consequências, principalmente no âmbito político. 

Com tantos cortes fica difícil elevar a economia do país!

Confirmação daquilo que já sabíamos

Itália confirma queda de 0,7% no PIB do 4º trimestre
Número confirma recessão "técnica?"


A Itália, sobrecarregada pela austeridade, entrou em recessão técnica no último trimestre de 2011 ao registrar uma retração de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), confirmou nesta segunda-feira (12) o instituto de estatísticas (Istat). Agora vem o interessante, as importações caíram 2,5% em relação ao anterior e o consumo 0,7% - e uma forte contração dos investimentos (-2,4%) explicam os dados negativos, segundo o instituto.

Bem, se a terceira maior economia apresentou recessão, que dirá as outras. Fazendo uma rápida e superficial análise, percebemos que, a demanda por produtos e serviços está baixa, sinal claro de que ninguém está comprando nada, e o cenário como um todo não apresenta a confiabilidade que o investidor espera. A luz no fim do túnel pode começar com as exportações, tendo EUA e China como cabeças de chave.



Agenda do Investidor para essa segunda-feira

No Brasil o Banco Central divulga o Relatório Focus e o Ministério do Desenvolvimento apresenta a Balança Comercial da semana. Nos Estados Unidos o Departamento do Tesouro apresenta o Orçamento do Tesouro.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Êxito na Grécia

Êxito na Grécia, êxito no mundo
A parte boa e a parte ruim é que finalmente ela sai do foco, para onde iremos?


O governo da Grécia anunciou nesta sexta-feira que a maioria de seus credores privados aceitou a operação de troca da dívida, o que representará o sacrifício de mais da metade dos valores dos títulos e abrirá o caminho para os recursos necessários para salvar da falência o país.
Abre aspas no "para salvar da falência o país", o aporte de capital apenas fará com que o país consiga rolar sua dívida, respirando um pouco mais, eles ainda continuam altamente endividados e sem perspectiva alguma de significativa melhora.

Não é nenhuma novidade que num reflexo pontual, as bolsas internacionais fechassem em alta. O foco volta novamente para os dados locais. O que realmente deve ser! E se os dados locais voltarão a ditar o ritmo, bem, pelo menos na próxima semana eu fico um pouco mais tranquilo, já que estamos nas mãos dos EUA.

Agenda do Investidor para essa sexta-feira

No Brasil teremos a divulgação pelo IBGE de dois índices inflacionários: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado oficialmente como índice de medição das metas inflacionárias, e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) referentes a outubro. O IBGE ainda apresenta o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) de outubro feito a partir do levantamento dos custos (material e mão de obra) da construção civil no setor habitação. A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IGP-M, índice de inflação calculado todo o mês e comumente utilizado para a correção de contratos de aluguel e tarifas de energia elétrica. Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho divulga vários indicadores relevantes: Taxa de Desemprego, Remuneração por Hora Trabalhada, Horas Trabalhadas por Semana e Números de Postos de Trabalho Criados. O Departamento do Comércio divulga os Estoques no Atacado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fechamentos do Dia


Falta Projeto

Enviado por Míriam Leitão

A política econômica tem atendido a emergências, quando deveria ter um rumo; ameaça com arsenal de medidas quando deveria implementar reformas que tirassem do caminho os obstáculos ao crescimento; distribui favores quando deveria melhorar o ambiente de negócios. O risco é continuar prisioneiro da briga juros-câmbio-inflação quando o mais acertado é plantar as bases de um novo ciclo de desenvolvimento.

O Brasil deu o salto nos últimos anos porque trabalhou para isso. O país fez reformas, como o Plano Real, a privatização, a nova regulação, o saneamento parcial das contas públicas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a autonomia e as metas do Banco Central. Tudo isso mudou a economia e abriu novos horizontes. A queda da inflação e a redução do percentual de pobres ajudaram a elevar o patamar de consumo criando o círculo virtuoso da ampliação da classe média. Mas o combate à pobreza ficou mais eficiente exatamente porque o país venceu a hiperinflação. A queda dos juros permitiu a ampliação do crédito que é outro elemento importante do crescimento recente.

A disputa política pela paternidade dos bons frutos é um debate medíocre. Esforços de governos diferentes foram complementares; mas é indiscutível que a pedra fundamental desse novo momento seja a estabilização. É falsa a divisão entre neoliberais e desenvolvimentistas. Primeiro porque não há neoliberais no Brasil, e segundo porque não haveria desenvolvimento sem a estabilização.

Agora é hora de plantar o próximo ciclo e tudo o que o governo tem feito é apagar incêndios, agir em emergências e ficar da mão para a boca, reagindo ao número de cada dia. O dado que preocupou esta semana foi a alta medíocre do PIB, e dentro dele a estagnação da indústria, que ainda caiu 2,1% em janeiro.

Quando o ministro Guido Mantega fala que tem um arsenal de medidas cambiais para desvalorizar o real, ele acaba, no curto prazo, elevando o incentivo a que se traga mais dólares antes que seja disparado o tal arsenal. Isso derruba mais o dólar. Fala-se também em dar mais dinheiro ao BNDES. A dúvida é o que o banco fará com o dinheiro. Nos últimos tempos, tem posto mais dinheiro subsidiado na velha economia do que na nova; em setores poentes, em vez dos emergentes.

Ser desenvolvimentista não é apenas gostar de desenvolvimento. Isso todo mundo quer, independentemente da corrente de pensamento econômico com a qual a pessoa se identifique. A pergunta relevante é que tipo de avanço está sendo projetado pelas decisões tomadas agora.

Para crescer de forma sustentada o Brasil precisa qualificar brasileiros, reduzir o peso dos impostos sobre o emprego, aumentar a poupança, incentivar investimentos principalmente nos setores de ponta, melhorar a eficiência logística, reduzir a balbúrdia tributária. A lista é conhecida e permanece intocada.

O Ministério da Fazenda e o Banco Central estão prisioneiros do imediatismo. Quando a inflação sobe, os juros são elevados, isso azeda a relação entre os dois órgãos. Os juros altos derrubam a taxa de inflação, mas valorizam mais a moeda brasileira. A indústria pede socorro aos ministros da Fazenda e do Desenvolvimento e eles reabrem o balcão que distribui vantagens setoriais ou adotam barreiras ao comércio. O Tesouro pensa estar induzindo o investimento de longo prazo transferindo recursos não contabilizados como gastos para o BNDES. O BNDES pensa estar fazendo política industrial despejando volumes extravagantes dos recursos no projeto de formação de grandes conglomerados. Tudo isso dá a impressão de que há um projeto. Não há. O país não está induzindo o próximo ciclo de desenvolvimento.

A briga com a China mostra bem isso. Quando a indústria reclama dos desequilíbrios provocados pelos produtos chineses, o Brasil ameaça adotar barreiras. Não se dá conta de dois pontos: primeiro, a China é nosso maior superávit comercial; segundo, não se pergunta o que o país que mais cresce no mundo tem feito de certo. Eles estão investindo fortemente em educação, inovação, e na nova energia, por exemplo. O Brasil deve fazer sua lista de que áreas tocar para aumentar a competitividade, mas tanto a indústria quanto o governo esperam que a taxa de câmbio dê de presente essa competitividade.

O arsenal de incentivos que qualquer governo dispõe serve para apontar os caminhos que a economia deve seguir. Os Estados Unidos não conseguiram ainda retomar o ritmo adequado de crescimento, mas os empregos criados na era Obama são principalmente na transição para a indústria de baixo carbono.

Frequentemente o governo anuncia incentivos fiscais para a indústria automobilística. Não há vantagem para a indústria investir num novo motor de baixo carbono, na inovação, no carro elétrico. Os carros flex, que foram o grande avanço das últimas décadas, são inúteis porque a política de preços dos combustíveis privilegia o combustível fóssil, em vez do etanol.

A formação dos grandes conglomerados da carne não produziu nada palpável. O Brasil continua fora dos mercados de qualidade, não houve aumento na exportação do produto. As empresas favorecidas não foram forçadas a exigir que a cadeia produtiva adotasse novas práticas ambientais e sociais. As empresas apenas ficaram maiores e agora entram em novas áreas.

Os juros caíram, isso dará um alívio temporário, mas o país continua sem projeto, sem lista de tarefas a executar, sem meta de onde quer chegar. O Brasil continua perdendo o que não pode mais perder: tempo.

Termômetro Ásia

Como disse pela manhã, o termômetro Ásia nos deu uma boa indicação do dia que viria, tanto que as bolsas europeias fecharam em alta nesta quinta-feira, movidas pelo mesmo motivo:  elevada participação dos credores privados na operação de troca da dívida grega, "impedindo" a declaração de default do país ao menos no curto prazo.

Como será que o Ibovespa, o Dow Jones e o Dólar fecharão? Alguém advinha? O Bacen já pode ir para casa hoje!

Um pouco de Brasil

Alguns números interessantes explicam a trava na oscilação do Dólar por aqui:

Em fevereiro, o Banco Central comprou US$ 842 milhões. No começo de março, mais US$ 256 milhões foram adquiridos pela autoridade monetária. Os números são bem expressivos é verdade, entretanto, devemos lembrar que vivemos em uma "guerra cambial",  a injeção de quase R$ 9 trilhões nos mercados financeiros por parte dos BCs dos países mais desenvolvidos (Estados Unidos e Europa principalmente) nos últimos três anos, é, segundo economistas, um dos fatores que contribui para o ingresso de divisas no país, aliado ao fato de que o Brasil tem os juros reais mais elevados do mundo - gerando um retorno maior para os aplicadores.

Cada um só está olhando para o seu lado e procurando desculpas globais para tais atos. Eles criam moeda sem valor lá, nós criamos entraves aqui, ou pelo menos tentamos! Porém, o grande problema do Brasil se chama "taxa básica de juros". Com essa taxa elevada, é praticamente impossível impedir uma forte entrada de capital especulativo, comprando títulos indexados à ela, deixando de lado o mercado de renda variável e investimentos em setores primários e secundários da economia.

Mas agente chega lá, estamos engatinhando, mas uma hora chega! 

Banco Central reduz taxa básica de juros para 9,75% ao ano. Fico só preocupado com a inflação, que teoricamente deverá aumentar.




Agenda do Investidor para essa quinta-feira

A Fundação Getulio Vargas divulga o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal). Sai o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, mensalmente feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), contendo informações sobre previsão e acompanhamento das safras agrícolas. Nos EUA o Departamento do Trabalho divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal. Na Europa hoje iniciam-se as reuniões do Banco Central Europeu e do Banco Central da Inglaterra para definição das políticas monetárias locais.

Sobe e desce da Grécia

Ásia sobe e desce diante das oscilações sobre a dívida grega.


Agora vem o interessante, de acordo com a Reuters, as bolsas de valores da Ásia se recuperaram nesta quinta-feira, apoiadas em apostas cautelosas de investidores sobre melhora das perspectivas da Grécia de garantir troca de dívida, evitando assim um calote desorganizado.
Não dá pra entender mais nada, ontem mesmo as bolsas asiáticas caíram pelo mesmo motivo, apostas de que a Grécia não conseguiria garantir a troca de dívida. Desse jeito eles ficam reféns de boatos, complicado operar assim.

Mas uma coisa é certa, a ampla liquidez (Tsunami Monetário, criticado por Dilma) também está apoiando o apetite por risco. Cara Dilma, cada um se vira com o que tem!


O humor da Ásia pode ser um bom termômetro para hoje!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fechamentos do Dia



Assim fica difícil

O dia ontem foi horrível, bom mesmo só para o Dólar e para o nosso BC, que aposto que ficou pensando que a alta foi em razão de suas medidas, era só o que faltava mesmo.


A novela Grécia continua:

Os credores privados da Grécia têm até quinta-feira à noite para dizer se participarão da troca de títulos, como parte do acordo de resgate de 130 bilhões de euros para deixar reduzir uma dívida em mais de 100 bilhões de euros.
O governo grego espera uma aceitação de 75% a 90% entre os credores. Se a adesão for inferior a 75%, o Executivo já anunciou que o projeto será abandonado, e a Grécia correrá o risco de um default desordenado.

Infelizmente não será só a Grécia, Portugal, a gigante Itália e Irlanda também ficarão na marca do pênalti. A projeção pessimista do crescimento chinês também tem influenciado negativamente os mercados globais. Junte à tudo isso o desejo de realizar lucros após uma maré boa de alta e está feito o estrago.


O que vemos hoje é simplesmente uma repetição do dia de ontem, bom para o câmbio mas ruim para todo o resto da economia, que vê atônita, sem poder fazer nada, os IEDs indo embora.  

Agenda do Investidor para essa quarta-feira

A Fundação Getulio Vargas divulga o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), média ponderada dos índices IPA (60%), IPC (30%) e INCC (10%). Teremos a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), relatório produzido desde a década de 70, com indicadores de curto prazo relativos ao comportamento da indústria extrativa e de transformação. No Brasil o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define o rumo da taxa básica de juros da economia. Nos Estados Unidos a ADP divulga o nível de emprego privado (excluindo os rurais). O Departamento do Trabalho divulga os Índices de Produtividade e Custos da mão de obra no país. O Departamento de Energia publica os estoques semanais de petróleo. O FED (banco central norte-americano) divulga o nível do Crédito ao Consumidor.

terça-feira, 6 de março de 2012

Agenda do Investidor para essa terça-feira

No Brasil a FGV publica a Sondagem do Comércio, que produz, mensalmente, informações usadas no monitoramento e antecipação de tendências econômicas. No Brasil iniciam-se as reuniões do COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central que definem o rumo da taxa básica de juros da economia. O IBGE divulga o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2011.

Projeção de Crescimento

Ontem quem deu as cartas foi a China. 
O governo da China revisou para baixo previsão de crescimento em 2012.


Alguns indicadores positivos foram totalmente ignorados diante da previsão pessimista de crescimento da China.

Fato que todas as bolsas internacionais fecharam em queda, veja:

Bolsas asiáticas caem por cautela de investidores e China
Principais bolsas europeias fecham em queda nesta segunda-feira
Wall Street fecha preocupada com redução de projeções na China
Bovespa recua por meta de crescimento chinês e Grécia

Com isso o Dólar respira e fecha o dia em alta de 0,24%, o que ainda é muito pouco dada a situação dos mercados ontem. 

E o dia hoje já começa com mais do mesmo, as bolsas asiáticas fecharam esta terça-feira em queda, preocupadas com a desaceleração econômica da China, com as questões da Europa "ainda" e com o Irã (não nos esqueçamos dele).

O "Tsunami Monetário", como disse a nossa presidenta, funciona muito bem no curtíssimo prazo, dá certo alívio e fôlego ao mercado, mas se não vier acompanhado de medidas mais amplas, a incerteza sobre  a conjuntura econômica expõe novamente os investidores à riscos que eles não vão correr.


Será que o BC pode tirar uma folga hoje?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Fechamentos do Dia


Mais de Dilma

A presidente Dilma Rousseff disparou na manhã de hoje novas críticas à política monetária de países desenvolvidos.
 De acordo com a presidente, as medidas causam "desvalorização artificial" das moedas, "equivalem a barreiras tarifárias" e geram bolhas e especulação.


Segundo Dilma, "O efeito é internacional, não nacional. Como o mundo é globalizado, quando você tem um nível de expansão desses, se produz dois efeitos: um é a desvalorização artificial da moeda. (...) O outro problema sério é que cria uma massa monetária que não vai para a economia real. O que se produz? Bolha. Bolha, especulação", protestou.

Em parte ela até não está errada, o problema é que todo mundo valoriza ou desvaloriza artificialmente a moeda em benefício próprio, o Brasil inclusive. Ir por esse lado não é interessante. Ela também comenta sobre a massa monetária que cria bolha e especulação; bem, especulação sempre houve e sempre haverá, já é parte ativa dos mercados. Agora a bolha não é certa, é uma possibilidade, por exemplo, parte do capital injetado na economia europeia virá para os mercados emergentes, "que" devem estar preparados para receber esse excesso de liquidez como investimento não como capital especulativo, no caso do Brasil por exemplo, precisamos de uma série de reformas, e porque não dizer, barreiras, impedindo uma parte, jogando a outra para os setores primário e secundário e a terceira e mínima parte para a renda variável. Os IED são importantíssimos para nosso crescimento, mas devemos direcioná-los à nosso favor. 

Agora, em detrimento de uma "possível" bolha, o que teríamos? Um default de diversos países da zona do Euro, assim como o fim de sua moeda única, criando uma série infinita de crises internacionais, onde aí sim veríamos o que é realmente uma guerra cambial e comercial.


No atual momento, dos males o menor!




Agenda do Investidor para essa segunda-feira

Hoje a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulga o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), índice que mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo com base nos gastos de quem ganha de um a vinte salários mínimos. O Banco Central divulga o Relatório Focus e o Ministério do Desenvolvimento apresenta a Balança Comercial da semana. Nos Estados Unidos o Departamento do Comércio publica os dados relativos às Encomendas às Fábricas (bens duráveis e não duráveis). O Institute for Supply Management (ISM) divulga o Índice ISM Não Industrial que compreende as atividades da agricultura, construção, comunicação, transportes e mineração, entre outras.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Câmbio em Regime semi-aberto

Não tenho nada contra o Ministro Guido Mantega, pelo contrário, acho ele até muito competente, só o que me incomoda são suas declarações, dando praticamente um atestado de burro para o leitor:

Dólar em R$ 1,80 é melhor do que em R$ 1,50. Não estamos buscando nem R$ 1,70 ou R$ 1,80. Gostamos da modalidade de câmbio flutuante. É bom que flutue", informou ele nesta quinta-feira (1).

Ah Mistro, para vai! Pra cima de mim?! A própria PTAX definida pelo BC é de R$ 1,7170 + -; "é bom que flutue, mas naquele espacinho que nós queremos, se fugir muito, agente entra pesado"

O que nós estamos fazendo não é muito diferente do que a China faz com seu Yuan. 

Agenda do Investidor para essa sexta-feira

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o IPP (Índice de Preços ao Produtor) que mede a evolução dos preços de produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, de 23 setores da indústria brasileira de transformação.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Crítica de Dilma

A presidente Dilma Rousseff fez hoje fortes críticas às ações de países em crise que estão gerando um excesso de liquidez no mercado global. Sem citar especificamente nenhum país, a presidente disse que "nos preocupamos com esses tsunami monetário".
Bem, se ela conhece algum outro meio melhor no momento, para eles conseguirem girar sua economia, por favor nos diga.


O Brasil precisa se preocupar mesmo é em criar barreiras consistentes para a entrada desse capital de curtíssimo prazo. Se nós conseguirmos fazer isso, pouco vai importar se lá fora tem excesso ou não de liquidez. Fato que, a mudança no IOF hoje, não surtiu muito efeito. A moeda norte-americana fechou a R$ 1,720, queda de 0,47%.
O problema é que a melhora de uns se torna a dor de cabeça de outros; a injeção de liquidez feita nos bancos europeus deu certo ânimo aos investidores, junte à isso o sentimento de confiança que há no mercado americano e está feito o cenário. Nosso Banco Central vai precisar de muito mais que uma simples mudança no IOF se quiser conter realmente a queda do Dólar.




Fechamentos do Dia


Declaração infeliz

Para variar o nosso excelentíssimo Ministro da Fazenda Guido Mantega peca por falar demais.


O ministro enfatizou que o foco é evitar conter a entrada de investidores que preferem atuar na especulação de curto prazo. "Aqueles que trabalham assim têm que ser penalizados e pagarão alguma coisa", disse.


Aí não! Não vá por esse lado! Qualquer um (eu acho), sabe que especuladores são tão importantes para a economia e para os mercados quanto os arbitradores e os próprios investidores. São eles que dão liquidez ao mercado! Quando um investidor quer se desfazer de uma grande posição, quem você acha que está na mão oposta? Um outro investidor provavelmente estará vendendo também!

O discurso mais correto seria simplesmente afirmar:

"O Brasil precisa conter a entrada de capital especulativo".

Ou se quiser ser mais ousado, digamos, poderia até mesmo dizer:

"Precisamos manter a PTAX num patamar que esteja a nosso favor ".



Ponto Final! 



Guerra Cambial

Governo não assistirá 'impassível' a guerra cambial, diz Mantega
Segundo ele, dólar entre R$ 1,50 e R$ 1,60 é 'ruim' para o Brasil.
Informou, porém, que governo não cogita taxar investimento estrangeiro.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira (1) que o governo não ficará assistindo "impassível" (sem fazer nada) a guerra cambial que gera a queda do dólar, encarecendo as exportações brasileira e tornando as compras do exterior mais baratas.

E desde quando o BC estava impassível? Massivas compras de Dólar no mercado à vista, compras no mercado futuro, swap cambial reverso, operações a termo... 

O que eles estão fazendo agora (aumento do prazo de incidência do IOF com alíquota majorada de 6% sobre empréstimos no exterior de dois para três anos) é algo que eu também já havia comentado, em relação a tomar providências mais macroeconômicas para garantir a PTAX, as medidas pontuais não surtem efeito contra o mercado! Em outras palavras, o BC está tentando desestimular a entrada de capital de mais curto prazo no Brasil, ou seja, capital meramente especulativo. O ingresso de liquidez que os governos estão fazendo nos mercados internacionais é altamente nocivo à nossa economia. Outra barreira interessante seria abaixar efetivamente a Selic. 

Estimular o capital estrangeiro para os setores primários e secundários da nossa economia é o grande desafio!

 

Livro Bege

Será um banho de água fria?
Livro Bege do Fed aponta moderada expansão nos EUA


Banho de água fria ou apenas a realidade? Que houve uma melhora na economia norte-americana todos já sabiam, várias dados e indicadores mostravam franca recuperação em diversos setores, mas daí, conseguir mensurar realmente qual era o nível da aceleração econômica - e com credibilidade de informação - , só mesmo o Livro Bege.
E não deu outra, o relatório colocou os EUA no seu devido lugar (se bem que o próprio Bernanke já havia precificado isso)! Tanto que, autoridades do Fed vêm debatendo outra possível rodada de estímulos monetários por meio da compra de títulos, mas alguma melhora no cenário nas últimas semanas reduziu a perspectiva de tal ação. Embora a notícia já tenha sido jogada no ventilador.

Hoje as bolsas já sentem essas notícias, os índices asiáticos fecharam em queda. Entretanto, a China, motor da economia asiática ao lado de Japão, indica sinais de que pode evitar uma forte desaceleração, se bem que boa parte do crescimento da China está atrelado ao crescimento dos EUA, senão não tem mercado. Pra quem eu vou vender? Pra Europa?

Por aqui, o BC agradece aos céus pela notícia do Fed, talvez o Dólar se comporte hoje!


Agenda do Investidor para essa quinta-feira

A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal). Nos EUA o Departamento do Comércio divulga a Renda e Gastos Pessoais. O Departamento do Trabalho divulga os Pedidos de Seguro-Desemprego semanal. O Instituto de Gerentes de Compras (ISM) divulga o seu Índice ISM, indicador que mede o nível de atividade da economia norte-americana. O Departamento do Comércio divulga os Gastos com Construção em todos os níveis da economia: pública, privada, residencial e não residencial.